Publicada em 24/02/2022 às 09h57.
Policiais civis suspendem greve, mas anunciam que vão trabalhar em 'ritmo mais lento'
Categoria informou, após passeata na noite desta quarta (23), que não aceitou proposta de reajuste de até 20% encaminhada pelo governo para a Assembleia Legislativa.


Policiais em passeata de greve / Reprodução do google.


Após nove dias de paralisação, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) anunciou, nesta quarta (23), a suspensão da greve. Após uma uma passeata no Centro do Recife(veja vídeo acima), a entidade informou que os profissionais rejeitaram a proposta de aumento salarial feita pelo governo. A categoria disse, no entanto, que a ideia é desempenhar as funções em ritmo "mais lento" em "operação-padrão".


A manifestação ocorreu no dia em que o governo enviou para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um projeto de lei com a proposta de aumento salarial de até 20%. Esse percentual tinha sido rejeitado pela categoria na segunda (14), dia da deflagração do movimento.


Os policiais se concentraram na frente do sindicato, por volta das 15h. Eles seguiram pelas ruas centrais da cidade, como a Avenida Cruz Cabugá. No início da noite, realizaram um ato na frente da Alepe.


O g1 perguntou para a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) se havia sido registrado engarrafamento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.


Diante da apresentação da proposta de reajuste salarial, o presidente da entidade, Rafael Cavalcanti, afirmou que a categoria “decidiria” os rumos da paralisação, após a passeata.


Depois do ato, os integrantes da direção do Sinpol se reuniram para traçar as diretrizes do movimento, a partir da rejeição da proposta de reajuste e do fim da paralisação.


Por telefone, Rafael Cavalcanti informou ao g1 que a greve foi suspensa por causa do alto valor da multa arbitrado pela Justiça, que foi de R$ 300 mil por dia.


Como a categoria rejeitou a proposta salarial, segundo ele, a ideia é manter a mobilização nas delegacias, no Instituto de Medicinal Legal (IML) e no Instituto de Identificação tavares Buril (IITB), responsável pela confecção das carteiras de identidade.


O presidente do Sinpol disse, ainda, que os policiais ão trabalhar nas delegacias, mas vão exigir o cumprimento "de todas as normas legais".


"Não vamos mais fazer o trabalho que não está previsto em lei. Os delegados vão ter que comandar os inquéritos, de fato, e os policiais só vão sair para as investigações com as ordens assinadas", afirmou.


Cavalcanti disse que os boletins de ocorrência voltarão a ser registrados normalmente. No IML, a "operarão-padrão" manterá o ritmo de liberação de corpos, um por vez e, provavelmente, após o meio-dia.


No IITB, as carteiras de identidade voltarão a ser liberadas, mas" só depois de todos os exames serem realizados, sem pressa".


Sobre as negociações com o governo, o sindicato disse que esse tipo de operação não tem prazo para acabar. "Vamos esperar que o estado reveja a proposta salarial", declarou.


Os policiais alegam que estão sem salário reajustado pelo índice de inflação desde 2019. Ou seja, um período sem "aumento real".


Movimento


Segundo o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a greve “contou com 90% de adesão” em todo o estado. No dia 15, houve dificuldades para fazer registros de ocorrências em delegacias. 


No dia 16, o Judiciário arbitrou uma multa de R$ 300 por dia em caso de manutenção da greve. No dia 17, a Justiça bloqueou R$ 600 mil das contas do Sindicato e atingiu também as finanças do presidente da entidade.


Na segunda (21), o Sinpol informou que só estavam sendo elaborados 10% dos boletins de ocorrência. Quem tentou tirar carteira de identidade não tece acesso ao sistema. O sindicato disse que estavam sendo liberados apenas os documentos pedidos antes da greve.


No Instituto de Medicina Legal (IML) no Recife, a categoria disse que realizou uma “operação-padrão”, liberando corpos depois do meio-dia e um por vez.


O governo informou, por nota, que os registros “estavam sendo feitos normalmente”. No entanto, não falou sobre as dificuldades apontadas pelas pessoas que precisam tirar identidade nem nos problemas no IML.


Segundo o estado, quem precisasse registrar queixas deveria usar os serviços oferecidos pela internet.


FONTE: G1.



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