
Rocha caiu e deixou muitos mortos e feridos no Capitólio / Reprodução do google.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apura a causa da queda de um cânion em Capitólio, na Região no Sudoeste do estado.
Em coletiva de imprensa nesta
sexta-feira (4/3), foi divulgado que o trágico acidente em 8 de janeiro, em que
10 pessoas em uma lancha morreram e várias ficaram feridas, foi resultado de um
“evento natural”. Não foi identificada uma ação humana específica que tenha
provocado a queda da rocha.
De acordo com a polícia, o
foco inicial dos trabalhos era a identificação das vítimas e prestar auxílio
aos familiares. “Foi uma ação rápida da Polícia Civil, que contou no ato da
identificação com o apoio da Polícia Federal, houve a identificação séria, em
apenas 36 horas, das 10 vítimas. Essas pessoas, foi provado que estavam na
mesma embarcação de nome ‘Jesus’”, explica o delegado Marcos Pimenta, da
regional de Passos.
Paralelo a isso, foi acionado
um grupo de peritos, com apoio aéreo da PC, que foi até a região e fez um
levantamento geológico e arquitetônico do local. O perito criminal Rogério Shibata
explica que alguns pontos foram importantes para a queda da rocha, sendo o
principal a geografia do local. “Presença de material argiloso na base da rocha
que caiu. Erosão na base da rocha (nível da água muda dependendo da época do
ano) bloco estava sendo erodido na base durante anos. O fluxo da água que cai
da cachoeira vai de encontro ao local da rocha que caiu, contribuindo para a
erosão da base”, ressalta.
“A causa para o tombamento do
bloco de quartzito ocorrido está relacionada ao processo natural de
remodelamento de relevo, processo comum em toda região do cânion de Capitólio”,
informa o relatório da PC após as investigações.
Mas a tragédia poderia ter
sido evitada, segundo o delegado. “Tudo poderia ter sido evitado. Hoje sabemos
que há necessidade de termos um estudo de mapeamento do movimento de massa, mas
seria muito leviano outorgar o piloto. Há necessidade de mudanças das nossas
leis para que esses estudos de mapeamento geológico sejam”, aponta. Pensando
nisso, a PC elaborou uma lista de sugestões que vai ser encaminhada aos órgãos
e instituições responsáveis pelo licenciamento e fiscalização da região.
Confira:
1. Realização de mapeamento de
todas as zonas de risco (movimento de massas) por geólogos e/ou outros
profissionais especializados no ramo, e sua demarcação em campo e em planta;
2. Redução no número de
embarcações nos cânions, as quais deverão apenas contemplar o local, em
velocidade baixa e sem uso de aparelho sonoro;
3. Implementação do selo de
identificação nas embarcações;
4. Identificação de todos os
turistas que utilizarem embarcações, sendo que o controle/cadastro deverá ser
armazenado/disponibilizado nos respectivos píeres;
5. Uso obrigatório de colete
salva vidas (em toda represa) e capacete na região dos cânions e áreas
semelhantes;
6. Maior integração entre os
órgãos/instituições responsáveis pela concessão e fiscalização de
empreendimentos turísticos;
7. Proibição de passeios
turísticos quando há comunicação de advertência pela Defesa Civil;
8. Fortalecimento das fiscalizações
de engenharia, geologia e ambiental;
9. Exigência de estudo de
risco e respectiva contenção para os empreendimentos turísticos;
10. Efetiva participação de Furnas e da concessionária Nascentes das Gerais na adoção de medidas preventivas de segurança.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.