
João Campos visitou local onde foram encontrados os vestígios / Reprodução do google.
Crescido a partir do porto
localizado no encontro entre os rios Beberibe e Capibaribe, o Recife é uma relíquia das
mais importantes para a História do Brasil. Quase cinco séculos depois que a
cidade começou a ser formada, nas imediações do Marco Zero, cerca de 40 mil fragmentos de
estruturas que remontam àquela época foram encontrados no centro histórico da
Capital pernambucana.
A descoberta, feita durante a preparação para as obras de um conjunto
habitacional na comunidade do Pilar, é, de
acordo com a Prefeitura, o “maior achado arqueológico
urbano do País".
O “tesouro” foi anunciado
neste sábado (12), dia em que a cidade completa 485 anos. Em visita ao local, o
prefeito João Campos que
está formando um grupo de estudos com o Instituto Pelópidas Silveira, a
Secretaria de Infraestrutura e a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) para
garantir a preservação de todo esse material.
“A gente está diante de um grande achado arqueológico e [é] lógico que a gente
vai preservar esse material, preservar essa área e construir novas alternativas
para as habitações aqui planejadas. Para que a gente possa conciliar a
necessidade de construção de moradias com a necessidade de preservação do nosso
patrimônio histórico. Afinal de contas, aqui está mais um superlativo
recifense: um dos maiores achados arqueológicos em áreas urbanas do Brasil”,
afirmou o gestor.
A pesquisa que resultou na descoberta foi realizada entre 2014 e 2020 pela
Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento, instituição ligada à Universidade
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Entre os objetos arqueológicos
encontrados, há cerâmicas, peças de jogos, tijolo holandês, garrafas de
bebidas, perfume, remédios, balas de canhão e escova de dente. Também já foram
achadas 100 ossadas humanas, possivelmente de mortos de guerras e de doenças
como a cólera e a gripe espanhola.
Além disso, os pesquisadores descobriram, sob a Igreja do Pilar, vestígios
do Forte de São Jorge, construção
do século 16 usada pelos portugueses para resistir às invasões holandesas.
Acredita-se que a fortaleza tinha um formato semelhante à de um castelo e,
nela, os soldados lusitanos foram bem-sucedidos na proteção contra os
invasores, que só conseguiram dominar a capitania de Pernambuco quando
decidiram entrar na área pela cidade de Olinda. Transformado em enfermaria
pelos holandeses em 1645, o forte foi abandonado após a Insurreição
Pernambucana e, na década de 1670, já se encontrava em ruínas.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.