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Imagem meramente ilustrativa / Reprodução do google.
Guerra cibernética é o nome dado a conflitos que acontecem na esfera digital, onde armas e soldados dão lugar a malwares e hackers. Em um cenário como esse, os ataques de um país – ou organização – ao inimigo têm como principal objetivo desestabilizar sistemas de controle de infraestrutura, redes, telecomunicações e até mesmo dispositivos conectados à população, em esforços de diferentes níveis de complexidade e impacto.
Diferente das ações isoladas de hackers, os ataques classificados como operações de guerra cibernética visam causar danos reais a partir de ataques virtuais. Derrubar a rede interna de usinas elétricas para promover um blecaute no país inimigo, comprometer as linhas de comunicação para prejudicar a circulação de informações, interferir no monitoramento de tráfego aéreo e em plataformas que realizam controle logístico da circulação de produtos e serviços são exemplos de táticas que podem ser orquestradas nos conflitos virtuais.
A discussão sobre o significado e os impactos da guerra cibernética esteve em alta devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Com a intensificação das tensões, acredita-se que a guerra pode ultrapassar os campos de batalha físicos e adentrar o ambiente virtual. A seguir, o TechTudo explica o que é e como funciona uma guerra cibernética, os tipos de ataques mais comuns e como os cidadãos podem se proteger.
A guerra cibernética entre Rússia e Ucrânia
Até a publicação desta matéria, o conflito no leste europeu não produziu, no ambiente online, episódios de alta gravidade entre os dois países. No entanto, dados da empresa Check Point Research mostram que os ataques online contra setores militares e governamentais ucranianos aumentaram 196% nos três primeiros dias após a invasão russa.
Especialistas entrevistados pelo jornal britânico The Guardian ponderam que, embora os dois países tenham grande capacidade de ataque nessa esfera, há um elemento de dissuasão que pode estar impedindo ações de maior impacto. Explicamos: para desencorajar ataques, um país se posiciona como apto a causar danos severos nos rivais. Trata-se, portanto, de uma espécie de "segurança".
Pensando na guerra da Ucrânia, a Rússia pode estar reticente quanto a desencadear ações com grande capacidade de gerar danos, por receio de que um contra-ataque ucraniano aconteça em maior intensidade e cause impacto severo no território russo.
Um fator que chamou a atenção, mas ainda não se mostrou relevante, é a promessa do grupo de ativistas Anonymous em concentrar esforços em ataques a serviços, sites e recursos russos. O grupo se posicionou como contrário à guerra e considera o país russo como responsável pelo conflito.
Além disso, um exército informal com cerca de 300 mil hackers se voluntariou para apoiar a Ucrânia na guerra cibernética contra a Rússia, revelam informações do jornal britânico The Guardian. Recrutado pelo governo ucraniano, o chamado "exército de TI" se reúne em um grupo do mensageiro Telegram, onde orquestram missões sites do governo russo e de veículos de imprensa russos partidários de Vladimir Putin.
Tensão é antiga
Embora a invasão do território ucraniano tenha acontecido apenas em 2022, as tensões entre os dois países não são novidade e têm evoluído na última década. Em 2014, houve indícios de ações de hackers russos contra o país vizinho desde antes da anexação da Crimeia à Rússia. Um exemplo foi o ataque dirigido à infraestrutura de distribuição de eletricidade ucraniana. A ação causou blecautes e comprometeu a reação do país à tomada da península.
Em janeiro deste ano, antecedendo a invasão militar, hackers russos promoveram uma série de ações que derrubaram sites da administração pública da nação vizinha, e também produziram vandalismo digital em páginas de Internet hospedadas na Ucrânia.
O que é e como funciona uma guerra cibernética
Em uma guerra cibernética, um país pode listar alvos estratégicos de uma nação adversária e atacá-los. Em geral, o objetivo é comprometer as operações do inimigo, afetando os padrões de vida da população – ou a capacidade de luta de suas forças armadas –, como forma de pressionar o adversário à submissão.
Nesse sentido, uma força especializada de hackers pode atacar a infraestrutura de telecomunicações para que exista ruptura nos canais de comunicação e informação do país inimigo. Outro cenário possível é o ataque às estações de distribuição e geração de energia, com o objetivo de causar blecautes que possam prejudicar o dia-a-dia da população e das forças militares inimigas.
Além dos ataques mencionados anteriormente, forças mobilizadas em um conflito cibernético também podem para explorar segredos dos inimigos. Caso um hacker consiga invadir sistemas das forças rivais, é possível que ele tenha acesso a dados militares estratégicos, e isso pode se tornar um fator relevante nas operações.
Diversos países possuem organizações de inteligência que são responsáveis pela chamada contrainteligência – ações para prevenir ataques do tipo em caso de conflito –, assim como equipes encarregadas de organizar e desencadear ações para explorar brechas e vulnerabilidades em um conflito.
Tipos de ataque
Ataques de guerra cibernética oferecem a mesma variedade de ações hacker cotidianas. No patamar mais simples, um ataque pode se concentrar apenas em ações de negação de serviço (DDoS), nos quais um grupo pode mobilizar uma grande quantidade de máquinas para acessar um mesmo endereço da web, sobrecarregando-o.
Caso a escala do ataque seja realmente grande – algo na casa de centenas de milhares ou milhões de tentativas de acesso por segundo –, o servidor que hospeda o recurso pode ficar incapacitado de trabalhar e levar à queda do serviço. Em uma guerra cibernética, uma ação do tipo poderia ser organizada com o objetivo de retirar canais governamentais de comunicação do ar, em um esforço para desinformar a população ou comprometer a capacidade do público de acessar dados relevantes a respeito do conflito, evasão de áreas ameaçadas etc.
A promoção de desinformação também é considerada uma modalidade de ataque. Notícias falsas e boatos podem causar confusão, aumentar o nível de tensão na população e desorganizar esforços para evacuar áreas sob ataque. Além disso, as fake news também podem gerar um clima de desconfiança no público em relação às autoridades, comprometendo o apoio interno a um grande esforço de defesa do território, por exemplo.
Forças cibernéticas também podem se concentrar na obtenção de informações sensíveis do governo adversário. Caso sejam bem-sucedidas, essas ações podem coletar dados relevantes do ponto de vista estratégico à sequência da guerra, além de melhor instruir a postura do país em termos de acordo de paz.
Um modelo mais grave de ataque cibernético – e, em geral, mais associado com esse tipo de operação – são ações ofensivas em que hackers acabam comprometendo diretamente a organização da infraestrutura de um país. Um grupo que tenha acesso à rede interna de distribuição energética, por exemplo, pode desligar o fornecimento de eletricidade, pressionando a população contra o governo e comprometendo a capacidade das forças militares adversárias.
Além de ataques à rede de energia, outros serviços públicos também podem virar alvos, como o mercado financeiro, os serviços de distribuição de água potável, as telecomunicações e o setor de segurança.
FONTE: TECH TUDO.