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Ao menos 650.538 pessoas estão com a aplicação da dose de reforço atrasada em Pernambuco. Atualmente, o passaporte vacinal, necessário para acesso a shows, restaurantes, estádios de futebol e outros, pede a terceira dose a toda a população com 18 anos e mais.
Os dados do levantamento feito
pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE)
a pedido da reportagem correspondem ao que foi informado por 101 dos 184
municípios do Estado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), ou seja,
refletem a realidade de somente 54,6% do total de cidades pernambucanas. Na
prática, o número é maior em razão dos municípios que não enviaram as
informações.
O retardo no repasse dos dados pode ser explicado, segundo a SES-PE, por
fatores como dificuldades técnicas por parte das cidades, bem como demora e
acúmulo das informações.
"Solicitamos aos municípios que preenchessem os dados pelo menos uma vez
por semana, para que a gente consiga verificar onde estão as maiores demandas
do Estado, mas acontece que, às vezes, o município não consegue encaminhar e
acaba que esses dados atrasam", afirmou a superintendente de
Imunizações de Pernambuco, Ana Catarina de Melo.
A terceira dose em Pernambuco está liberada para todos aqueles que já tomaram a segunda dose há, ao menos, 120 dias. O reforço é feito, de preferência, com a vacina da Pfizer, mas também podem ser aplicados os imunizantes da Janssen e da AstraZeneca.
Dados da SES-PE indicam que o Estado tem uma cobertura vacinal de 43,73% da população apta a receber o reforço, o que corresponde a 2.888.342 aplicações.
A cobertura, no entanto, não é
homogênea entre as faixas etárias. Na população acima dos 70 anos, é de 77,54%,
e, entre os idosos de 60 a 69 anos, de 65,34%. Jás na população de 18 a 59
anos, a cobertura é de 43,29%.
"Este (18 a 59 anos) é um público que habitualmente é difícil de se
vacinar, porque acredita que não vai adoecer, mas a gente precisa melhorar essa
cobertura o quanto antes. Sabemos que quatro ou cinco meses após a vacinação
básica, que são as duas doses, a produção de anticorpos cai, então a dose de
reforço é o que faz levantar a proteção e mantém a produção de anticorpos, e,
com isso, consegue proteger o indivíduo por mais tempo. Essa população
precisa procurar o serviço o quanto antes", reforçou Ana Catarina de
Melo.
A superintendente de Imunizações afirmou, ainda, que o Estado tem cobrado
aos municípios a criação de estratégias para o avanço da cobertura.
"A função do Estado é a de ofertar vacinas, ofertar os insumos e prestar
as orientações aos municípios, que têm o papel de execução. Desde
novembro que nós estamos orientando os municípios, que eles desburocratizem o
processo, facilitem o acesso à vacinação, se desloquem para as áreas de difícil
acesso e consigam vacinar o maior número de pessoas", afirmou Ana
Catarina.
Mais de meio milhão sem segunda dose
A cobertura vacinal também enfrenta problemas na segunda dose, necessária para
completar o esquema vacinal inicial. Nesse recorte, preenchido por 95% dos
municípios do Estado, Pernambuco tem 541.774 pessoas em atraso, considerando os
intervalos de cada fabricante.
O imunizante com mais atrasados é o da Pfizer, com 223.837 pessoas. O intervalo entre doses do fabricante é de 60 dias. Ainda há 191.740 pessoas que não retornaram para receber a vacina da AstraZeneca, com prazo de 90 dias. Já 126.197 estão com a segunda dose da CoronaVac, cujo intervalo é de 28 dias, atrasada.
Em relação à primeira dose,
Pernambuco aplicou 8.063.727, o que corresponde a 90,86%. Já a segunda dose tem cobertura de 78,21%,
com 6.941.177 aplicadas.
"Precisamos chegar a, no mínimo, 80% (de cobertura da segunda dose).
Então, os municípios precisam se organizar e a população precisa procurar os
serviços de vacinação. Os municípios precisam vacinar nos grandes centros
comerciais e em locais de ensino para facilitar o acesso a esses
grupos".
Sobre o início da quarta dose em Pernambuco, a
superintendente informou que haverá uma reunião nesta sexta-feira (25), entre o
Governo do Estado e o Comitê de Imunizações para debater a pauta. Na ocasião,
também será abordada a liberação ou não do uso
de máscaras.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.