Publicada em 19/05/2023 às 08h22.
Caso Miguel: três anos depois, abaixo-assinado com quase 2,8 milhões de assinaturas pede celeridade no processo
Mãe do menino que morreu ao cair do 9º andar de prédio no Recife, em 2020, Mirtes Renata diz que vê casos de violência contra crianças negras sendo "empurrados com a barriga".

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Diário do Nordeste.


Quase três anos após a morte do menino Miguel Otávio - que caiu do 9º andar de um prédio de luxo na área central do Recife, em 2 de junho de 2020, a mãe do garoto, Mirtes Renata, segue na luta pela conclusão do caso, que tramita na Justiça. O apelo dela ganhou o reforço de um abaixo-assinado com cerca de 2,8 milhões de assinaturas, entregue nesta quarta (18) ao Ministério da Igualdade Racial.


Em entrevista, Mirtes disse esperar que a iniciativa estimule a criação de políticas públicas para combater a violência contra as crianças negras.


“Esses casos deveriam ter prioridade, mas não vem acontecendo dessa forma. Vejo casos com crianças brancas, num instante, sendo resolvidos, enquanto os das crianças negras vêm sendo empurrados com a barriga. E não pode ser assim”, afirmou Mirtes.


Em maio de 2022, a ex-patroa de Mirtes, Sari Corte Real - que deixou o menino no elevador e apertou o botão da cobertura -, foi condenada a 8 anos e seis meses de prisão. Mirtes falou que entrou com recurso ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) pedindo que a pena fosse aumentada.


“Quando o caso subiu para o segundo grau, entrou com segredo de justiça. A gente não sabe o porquê e já solicitou que tirasse [o sigilo]. Isso dificulta que as pessoas saibam como está o andamento [do processo]”, contou Mirtes Renata.


 ‘Três anos sem meu filho’


A espera por justiça se junta ao sentimento de luto que permanece forte desde 2020. No domingo (14), Mirtes publicou nas redes sociais a saudade que sentiu ao passar mais um Dia das Mães sem Miguel.


"Esse Dia das Mães, para mim, foi horrível. Nem de casa saí, porque não ia aguentar ver num restaurante na rua uma mãe com seu filho e eu estar sem o meu. Foi muito difícil para mim, muito dolorido. Mas eu digo que meu filho mandou pessoas para me acalentar, me abraçar. Várias pessoas mandaram mensagens e lembranças, tentando me acalmar", disse Mirtes.


"Não está sendo fácil. São três anos sem meu filho, três anos de luta. E isso é muito pesado para mim", complementou.


Entrega de abaixo-assinado


O abaixo-assinado, realizado pela plataforma on-line Change.org, foi entregue, na tarde desta quarta (18), em audiência pública no Ministério da Igualdade Racial, em Brasília.


Na ocasião, o ministério também recebeu uma petição sobre o caso João Pedro, assassinado durante uma operação policial, no Rio de Janeiro. O caso completou três anos nesta quarta.


Segundo a gerente de campanhas da entidade, Débora Pinho, o objetivo da iniciativa é chamar atenção da sociedade civil para os casos de violência contra crianças negras que ainda não foram julgados e pedir o apoio para agilizar o andamento dos processos.


"A gente trouxe para amplificar e dar uma visibilidade. Já que as vias oficiais estão, de certa forma, muito lentas. Nossa presença é uma maneira de pressionar, mostrar para a sociedade civil e para o governo que esse caso, que está em Pernambuco, não está caminhando da devida forma. A gente está aqui para esperar algum encaminhamento", informou a representante da organização.



FONTE: G1.


Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI