Publicada em 29/05/2023 às 08h25.
Secretaria de Saúde diz que situação do superfungo está controlada; 'contaminação natural' do Candida auris é investigada
Três pacientes de diferentes hospitais públicos e privados do estado, e sem conexão entre si, foram contaminados pelo fungo este mês.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: aeciherj.org.br.


Apesar da confirmação dos três casos do superfungo Candida auris neste ano em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) considera que a situação está controlada e restrita.


O estado ainda não conseguiu encontrar uma cadeia de transmissão que conecte os três pacientes colonizados, então investiga uma hipótese de contaminação natural.


A avaliação é de José Lancart de Lima, diretor-geral de informações epidemiológicas da SES, em entrevista à TV Globo.


"É uma situação que está restrita, controlada e sofrendo intervenção de vigilância rotineiramente pra que a gente possa, de fato, garantir a segurança dos pacientes", afirmou José Lancart de Lima.


Os casos já confirmados foram identificados em três unidades de saúde:


Um homem de 48 anos, internado no Hospital Miguel Arraes, em Paulistadiagnosticado no dia 11 de maio;


Um idoso de 77 anos, internado no Hospital Tricentenário, em Olinda, que teve o diagnóstico no dia 14 de maio;


Um idoso de 66 anos, internado no Hospital Português, privado, no Paissandu, na área central do Recifeno dia 23 de maio.


No caso do hospital Miguel Arraes, como o paciente passou por várias áreas do hospital, toda a unidade de saúde foi fechada para novas internações e só está recebendo pacientes em casos de urgência (saiba como prevenir a contaminação).


"Isso é necessário para que nós possamos garantir que não houve o alastramento da infecção a nível de ambiente hospitalar. Todos os pacientes estão estáveis, nenhum evoluiu com gravidade por conta da infecção do Candida auris", assegurou Lancart.


Ainda segundo o diretor da SES, o estado não conseguiu detectar cadeia de transmissão epidemiológica que crie vínculo entre esses pacientes .


"Existem algumas hipóteses de contaminação natural, a nível de ambiente. E isso está sendo investigado", explicou o representante da SES.


O Candida auris é um fungo identificado pela primeira vez no Japão, em 2009. Desde então, se espalhou por todos os continentes. No Brasil, chegou em 2020.


Entre 2021 e 2022, o surto de Candida auris no Recife foi o maior já registrado no país, com 48 notificações.


Segundo o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, o estado fez uma busca ativa por pacientes, o que revelou a quantidade de pessoas colonizadas. Colonizados são os pacientes que têm o fungo na superfície do corpo, mas não foi infectado por ele.


As regiões do corpo onde o Candida auris costuma ficar são:


Ouvidos;

Narinas;

Axilas;

Virilhas.


Nesta fase, não há sintomas. Mas um machucado, uma ferida na pele ou o uso de catéter no hospital pode permitir que ele entre no corpo, atinja a corrente sanguínea e provoque uma infecção.


Em casos graves, pode prejudicar órgãos como o coração e o cérebro. Em último caso, podem levar à sepse, uma infecção generalizada capaz de matar.


Para o infectologista Arnaldo Lopes Coutinho, o principal temor associado ao superfungo é a velocidade com que ele se expande por hospitais em todo o mundo e suas características de colonizar pacientes por muito tempo e resistir a múltiplos fármacos.


Por isso, os cuidados nos hospitais devem ser levados à risca. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou orientações para as redes de saúde e o Ministério da Saúde tem acompanhado de perto todos os casos.


Estado de saúde


O Hospital Português não quis comentar o caso. A Secretaria de Saúde disse que os três pacientes passam bem.


Como se prevenir?


As formas de prevenção são as seguintes:


Higiene das mãos;

Uso adequado de materiais de proteção;

Limpeza do local onde estão os pacientes infectados.


Por que o Candida auris é conhecido como superfungo?


Em 2019, o Candida auris foi caracterizado pela comunidade científica como um fungo mais resistente a medicamentos do que os outros.


 Estudos indicam que em até 90% dos pacientes, o Candida auris é resistente a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas, que são medicamentos usados no tratamento de infecções por fungos.


Como ele age no corpo?


Geralmente, não há manifestação clínica da presença do superfungo e o paciente que está "colonizado" por ele é assintomático, segundo o diretor geral de Informações Epidemiológicas da SES, José Lancart de Lima.


A transmissão acontece através do contato direto com objetos ou pessoas infectadas.


O Candida auris é capaz também de infectar o sangue, levando a casos agressivos e, muitas vezes, letais.


 Pacientes com alguma comorbidade, imunosuprimidos ou cardiopatas têm um risco maior de apresentar um agravamento do quadro clínico quando infectados com o superfungo.

 


FONTE: G1.


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