Publicada em 12/06/2023 às 09h57.
Grupo de pessoas LGBTQIA+ com deficiência cria plataforma que mapeia locais com base na acessibilidade
Plataforma desenvolvida pela ONG recifense Vale PCD traz informações sobre infraestrutura e permite fazer avaliações sobre estabelecimentos comerciais e espaços públicos.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Vida Mais Livre.


Uma plataforma digital criada por um grupo de pessoas LGBTQIA+ com deficiência do Recife começou a disponibilizar um mapeamento de locais baseado na acessibilidade. O site "Mapa de Acessibilidade" traz informações sobre a infraestrutura de espaços como bares, cafés, restaurantes, shoppings, casas noturnas, instituições de ensino, parques e academias.


No mapa, disponível na internet, é possível fazer avaliações de cada estabelecimento, dando uma nota que pode variar de 0 a 5, com base nos recursos acessíveis que o lugar oferece.


A ferramenta, desenvolvida pela organização não governamental Vale PCD, foi lançada no sábado (10) e informa se os espaços contam com estruturas como rampas de acesso, banheiros adaptados e elevadores.


Criada em 2020 por duas pessoas com nanismo, a ONG tem como objetivo promover ações de inclusão para pessoas LGBTQIA+ com deficiência.


"Tive a ideia do mapeamento, justamente, pensando no contexto dos meios LGBTs que eu frequentava. Eu ia a uma balada, a um bar ou roda de conversa e, geralmente, era a única pessoa com deficiência que estava presente. Quando eu queria conhecer um logo novo, precisava de informações de como ele era por dentro e, geralmente, não existia esse tipo de informação em lugar nenhum", disse a diretora e fundadora da ONG, Priscila Siqueira.


O outro fundador da organização, Emmanuel Castro, afirmou que também se sentia inseguro em frequentar alguns ambientes.


"Muitas vezes, deixava de ir a um evento porque não tinha acessibilidade nenhuma. Já aconteceu de ser carregado por segurança ou por amigos", contou.

Avaliando a acessibilidade


De acordo com o diretor de Tecnologia da Vale PCD, Thiago Vinícius, as pessoas podem, na plataforma, cadastrar novos estabelecimentos no mapa e avaliar cada local conforme a estrutura. Também é possível publicar relatos da experiência que tiveram.


"O que seria um recurso acessível para uma pessoa talvez não seja para outra. Quando a gente fala de acessibilidade, surge muito essa imagem inicial de que é para pessoas cadeirantes e se pensa logo em rampa. Mas, na verdade, a mesa e a cadeira baixas, uma iluminação boa, piso tátil, e diversos outros recursos para diferentes tipos de deficiência, a gente está mapeando também", explicou Thiago.


Durante a avaliação, a pessoa pode marcar, no perfil do estabelecimento, os recursos que o local oferece, além de atribuir uma nota à experiência geral que teve no estabelecimento onde foi atendida.


"Vai ter também os lugares que não têm recursos, porque, antes de sair de casa, já vejo e evito ir a um lugar que não tenha os recursos de que preciso. A intenção da gente é movimentar as pessoas para que elas cadastrem mais lugares e influenciar para que os próprios empreendedores comecem a pensar um pouco mais sobre a acessibilidade nos estabelecimentos", afirmou Thiago.



FONTE: G1.



 

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