
Vítima, Beatriz Mota / Reprodução: Folha-PE.
De acordo com o despacho feito pela juíza, a pedido da defesa em fase de alegações finais, há trecho de relatório da Polícia Federal (PF) sobre a Operação Metástase que cita o recebimento de R$ 1,5 milhão por parte do perito para "falsificar uma das perícias do Caso Beatriz, que comprometia a instituição de ensino em que a mesma foi assassinada".
A operação, deflagrada em abril deste ano, teve por finalidade desarticular uma milícia, com características típicas de grupo de extermínio, integrada por policiais militares e civis de Pernambuco, Paraíba e Ceará que atuava na região do Sertão pernambucano, especificamente nos municípios de Salgueiro, Serra Talhada, Ouricuri e Parnamirim. A milícia, segundo a PF, seria especializada em homicídios, além de outras condutas ilícitas relacionadas.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) disse que a suspeita de propina milionária foi revelada pela delegada da Polícia Civil Polyanna Nery, lotada atualmente na Delegacia de Pesqueira. A delegada, no entanto, rebateu a citação.
Em conversa por telefone com a Folha de Pernambuco, Polyanna Nery explicou que, quando começou a investigar a morte de Beatriz, o perito já havia deixado o caso. "Não tenho conhecimento a respeito desse fato, fui surpreendida porque não tenho conhecimento nenhum a respeito dessa investigação da Polícia Federal", rebateu.
Polyanna explicou ainda que trabalhou no caso entre novembro de 2017 e março de 2020, e o perito atuou em 2016. A juíza também requisitou informações diretas à delegada. "Não fui oficialmente notificada, nunca investiguei esse perito. Vai ser tudo apurado", completou Polyanna Nery.
O pedido de informações tem prazo de 10 dias. "Após as informações serem prestadas pelo referido órgão, o processo será concluso para análise", explicou o TJPE.
"O colégio informa que está acompanhando o caso e desde já repudia toda e qualquer vinculação de seu bom nome a qualquer conduta fora dos ditames da lei. Ao longo do inquérito, o colégio cooperou integralmente com a polícia e a justiça para o esclarecimento do caso e todas as tentativas de vincular o nome da instituição a algum ilícito foram prontamente combatidas, esclarecidas e provada a insubsistência dos referidos fatos. Seguimos confiantes na justiça e na sua resposta final para o caso", afirma nota da instituição.
A reportagem ainda tenta contato com o perito Gilmário dos Anjos para saber seu posicionamento sobre a citação. A Polícia Federal (PF) não respondeu à solicitação sobre o inquérito da operação.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR.