
Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva / Reprodução: Diário de Pernambuco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou,
nesta segunda-feira (3/7), a lei que muda a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) para assegurar igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre
mulheres e homens.
Durante o evento, realizado na Base Aérea de Brasília, o
presidente evitou falar muito e disse que preferia deixar as ministras da área
e as mulheres representantes sindicais falarem, e afirmou que ele não queria
“escorregar numa palavra” para que os jornais fizessem uma manchete que não
fosse a nova lei sancionada, que segundo ele, “vai pegar”.
“Não existe essa lei de pegar e não pegar”, afirmou ele,
citando Franco Montoro, ex-governador de São Paulo. “O nosso governo vai fazer
cumprir a lei”, afirmou, citando os órgãos fiscalizadores. “Não vamos ter
problema com essa lei”, afirmou.
O projeto de lei que trata da igualdade salarial, o PL
1085/2023, foi aprovado pelo Plenário do Senado em 1º de junho e, desde então,
aguardava sanção presidencial. Esse é o primeiro projeto de lei de autoria do
novo governo Lula. A proposta teve a tramitação iniciada na Câmara dos
Deputados.
Com a nova regra, as empresas que não cumprirem a lei
serão multadas. De acordo com o artigo 5º da nova regra, fica determinada a
publicação semestral de relatórios de transparência salarial e remuneratória
pelas pessoas jurídicas de direito privado com 100 ou mais empregados,
observada a proteção de dados pessoais de que trata a Lei nº 13.709, de 14 de
agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Atualmente, as
mulheres têm remuneração 30% inferior aos homens na mesma função.
“Na hipótese de descumprimento do disposto no caput deste
artigo, será aplicada multa administrativa cujo valor corresponderá a até 3% da
folha de salários do empregador, limitado a 100 salários mínimos (R$ 132 mil),
sem prejuízo das sanções aplicáveis aos casos de discriminação salarial e
remuneratória entre mulheres e homens”, diz a legislação.
A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ressaltou que as
mulheres presentes estavam preparadas para ir ao evento no Palácio do Planalto,
e, com a mudança do evento para a Base Aérea, em menos de 24 horas, ela ficou
impressionada com o grande número de mulheres presentes. “Eu achava que viriam
uma meia dúzia”, disse.
Cida Gonçalves destacou que houve pouco avanço na CLT no
sentido de igualar as remunerações entre homens e mulheres. “ A mulher recebe,
em média 22%, menos do que os homens. As estatísticas demonstram que mulheres,
com mesmo tempo de trabalho, no mesmo setor, ainda recebem menos do que os
homens e essa realidade precisa mudar e ela começa a mudar a partir de agora”,
afirmou ela, lembrando que, “pela pela primeira vez um governo mergulhou nesse
tema”.
A ministra ainda destacou que o governo vai trabalhar
para promover a diversidade no ambiente público e no combate ao assédio no
trabalho. De acordo Cida Gonçalves, a desigualdade salarial entre homens e
mulheres é um desafio mundial, mas esse desequilíbrio salarial é maior no
Brasil, e, com essa lei, o país começa a mudar com uma lei aprovada em seis meses
de governo. “Não é aceitável o ódio e misoginia contra as mulheres no Brasil”,
afirmou ela, destacando que a igualdade “é uma urgência” do novo governo, que
não vai deixar essa lei não se cumprir. “Essa lei já pegou e foi aprovada em
tempo recorde neste país”, afirmou. A ministra lembrou também que as denúncias
podem ser feitas discando 100, 180 e 158 e também no site:
denuncia.sit.trabalho.gov.br.
Na sequência, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz
Marinho, garantiu para todas as mulheres presentes no evento que a lei da
igualdade salarial entre homens e mulheres “vai pegar”, porque ela traz a
obrigatoriedade. “É muito importante esse processo, porque a Constituição já
fala disso”, ressaltou. E, para essa fiscalização do cumprimento dessa lei, o
concurso autorizado pelo Ministério da Gestão, para 900 vagas de fiscais do
trabalho que será realizado neste ano. Ele contou que vai incluir várias cotas
além do PCD, previsto em todos os concursos, ele disse que destinou 45% para
pessoas negras. Além disso, incluiu cotas para pessoas trans e indígenas.
O ministro informou que está buscando atualizar a nossa
legislação e “recuperar a representatividade dos sindicatos”, e, além disso,
“criar condições para ter respeito em todos os meios de trabalho, inclusive, os
aplicativos”.
Mudança na Bolsa Atleta
Na mesma cerimônia, o presidente Lula também sancionou a
lei que garante, no programa Bolsa Atleta, a manutenção do pagamento da bolsa à
atleta gestante ou puérpera, prevista no PL 1084/2023, que foi aprovado pelo
plenário da Câmara, em 2 de maio deste ano e, desde então, também vinha
aguardando a sanção presidencial para valer de fato.
Segundo a ministra Cida Gonçalves, 70% das mulheres da
seleção brasileira que vão disputar a Copa do Mundo na Austrália e na Nova
Zelândia recebem a Bolsa Atleta. Ela agradeceu aos parlamentares,
principalmente a bancada feminina do Congresso e os líderes, por trabalharem
para a aprovação da matéria.
Antes da ministra da Mulher, Ana Moser, ministra dos
Esportes, destacou que o momento é de alinhamento e fortalecimento das questões
da mulher em vários aspectos. Ela lembrou que, antes, não havia esse benefício
para as atletas gestantes e, portanto, as mulheres atletas evitavam ficarem
grávidas. “Essa medida é tão óbvia e só foi possível neste governo”, afirmou.
Assédio
O chefe do Executivo também sancionou uma mudança na Lei
8.906/94, o Estatuto da Advocacia, para incluir o assédio moral, o assédio
sexual e a discriminação entre as infrações ético-disciplinares no âmbito da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O presidente do Conselho Federal da OAB,
José Alberto Simonetti, elogiou as mudanças e reconheceu que ainda “há muito a
fazer para defender os princípios da igualdade e o respeito aos direitos
humanos no país”
Ao comentar sobre essa iniciativa da OAB, o presidente
Lula elogiou a medida e defendeu que as mulheres tenham coragem de denunciar o
assédio no trabalho, algo que ele considerou “muito sério”. “É falta de caráter
alguém praticar assédio”, frisou.
O desembarque do avião presidencial na Base Aérea ocorreu
com quase 1h30 de atraso. Também participaram do evento, a primeira-dama
Rosângela Janja da Silva, a Janja, e todas as ministras do terceiro mandato de
Lula, inclusive, a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, que tem o cargo
cobiçado pelo União Brasil. A presidente da Caixa Econômica Federal, Rita
Serrano, também compareceu à cerimônia. O vice-presidente Geraldo Alckmin
também estava presente na cerimônia.
Após o evento, Lula embarcou para a Argentina, rumo à Puerto Iguazú, para participar da cúpula do Mercosul. No evento, o Brasil vai assumir a presidência pró-tempore do bloco sul-americano.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.