Publicada em 11/07/2023 às 23h02.
Mais de 300 prédios na Região Metropolitana do Recife estão com risco alto de desabamento
Construções abandonadas e que já deveriam ter sido demolidas são ocupadas irregularmente por pessoas que não têm onde morar.



Prédios com problemas na estrutura estão espalhados pela Região Metropolitana do Recife. Somente nas cidades de Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes pelo menos 338 imóveis estão interditados por risco de desabamento.


Uma questão que se arrasta há décadas e tem reflexo nos acidentes causados por desabamentos de prédios, como o ocorrido no Conjunto Beira-mar, em Paulista - que resultou na morte de 14 pessoas na última sexta (7).


Na mesma cidade, um elefante branco à beira-mar, também conhecido como “prédio abandonado de Maria Farinha”, é apenas um dos exemplos.


O que deveria ser um edifício de luxo de mais de 15 andares e mais de 200 apartamentos se tornou mais um caso da falta de soluções para as construções abandonadas. O prédio, inacabado há 38 anos no município de Paulista, no Grande Recife, é apenas um.



O problema afeta prédio de vários tipos de construção, e não apenas os chamados edifícios caixão.


No bairro da Torre, na Zona Oeste do Recife, um imóvel abandonado de quatro andares chama a atenção de quem passa na Vila Santa Luzia.


Não tem pilares, nem vigas. Os tijolos são vazados e alguns estão quebrados. As gambiarras estão por toda parte e a fiação elétrica e os canos de abastecimento de água estão do lado de fora do prédio.


O mais grave é que 12 famílias moram no local e, na parte de baixo, funcionam estabelecimentos comerciais.


Apesar de ter sido interditado pela Prefeitura do Recife mais de uma vez – a última na segunda (10), os moradores tiraram a placa e permaneceram no local como se não corressem perigo.


A reportagem confirmou que o prédio é particular e as pessoas pagam R$ 500 de aluguel por mês. Tanto o abastecimento de água quanto o fornecimento de energia elétrica são feitos por ligações clandestinas.


"Todos tem uma responsabilidade; o proprietário é responsável pela sua unidade habitacional, o condomínio é responsável pela coletividade e o poder público precisa agir para vistoriar, interdidar, demolir, quando for necessário. Toda essa cadeia precisa funcionar para evitar situações dessa natureza", explicou o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Pernambuco, Gustavo Farias.


Farias explica que é preciso ter atenção aos sinais que as construções apresentam e que podem indicar riscos aos imóveis.


"Fissuras, infiltrações, dificuldade de abrir janelas, dificuldade de fechar portas; isso já demonstra um estágio avançado e já é indício de você querer desocupar o imóvel", completou.

Ameaça onde menos se espera

Imagine ter uma casa confortável, com quatro quartos, 280 metros quadrados, e um prédio vizinho ameaçar o patrimônio e a tranquilidade da sua família.


O engenheiro agrônomo Alberto José Rodrigues dos Santos passou nada menos que 19 anos fora de sua casa porque um prédio de seis andares e 24 apartamentos, vizinho da sua residência, estava ameaçado de desabamento.


"Fiquei desesperado, fiquei nervoso. É uma situação incomum você ficar 19 anos fora da sua casa. Tive que voltar para o aluguel tendo uma casa para morar. Fui à Defesa Civil em várias ocasiões, pedindo para voltar, correndo o risco de o prédio cair. A defesa civil negou veementemente. Através de uma liminar foi tomada uma decisão para que o prédio fosse demolido", contou o engenheiro - que esperou quase 20 anos pela execução da demolição.



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