
Passageiros que dependem do transporte público enfrentam dificuldades para se deslocar e chegar aos compromissos na manhã desta quinta (13). Além da paralisação de 24 horas do Metrô do Recife, que deixou as estações das linhas Centro e Sul fechadas, um protesto de motoristas de ônibus impediu que os veículos saíssem da garagem da Metropolitana (veja vídeo acima).
Essa empresa é a responsável por duas das três linhas especiais de ônibus que fazem parte do esquema montado pelo Grande Recife Consórcio de Transporte para minimizar os impactos da paralisação. Esse planejamento também prevê reforço em outras 18 linhas.
No Terminal Integrado do Barro, na Zona Oeste do Recife, aconteceu um tumulto dentro e fora do local, que conta com sete linhas de ônibus da Metropolitana, mas os coletivos não circularam porque não conseguiram sair da garagem por causa da manifestação dos rodoviários.
Esse protesto também afetou a circulação de ônibus da Metropolitana nos terminais integrados da Macaxeira, na Zona Norte do Recife; e de Jaboatão, no Grande Recife.
No Terminal Integrado do Barro, a linha especial que leva os passageiros diretamente para a estação de Joana Bezerra, no Centro do Recife, que é alimentada pelos ônibus da Metropolitana, foi feita por veículos de outras empresas.
Em frente ao Terminal Integrado de Jaboatão, passageiros atearam fogo em objetos e bloquearam a entrada do local, impossibilitando também a saída de ônibus de outras empresas. Uma faixa da via foi liberada por volta das 7h40, após a chegada da Polícia Militar ao local.
O Grande Recife Consórcio de Transporte relatou por meio de nota a situação sobre a greve:
"A empresa Metropolitana teve sua operação impedia em função de ato do Sindicato dos Rodoviários, na manhã desta quinta-feira (13). Agentes do consórcio participaram das tratativas para normalização, que aconteceu às 7h25", disse, em nota, sem informar as causas do ato.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana) divulgou a resposta da Metropolitana. Na nota, a empresa afirmou que:
"O Sindicato dos Rodoviários, articulado com o Sindicato dos Metroviários, impediu ilegalmente a saída da frota da empresa, comprometendo a operação de 52 linhas e prejudicando toda a população usuária do serviço";
"A paralisação ocorreu sem qualquer pré-aviso e agride não só o direito dos usuários do transporte público como toda a legislação que regulamenta o direito de greve e de prestação de serviços essenciais";
"Rodoviários participaram da assembleia realizada pelos metroviários. A articulação entre o Sindicato dos Metroviários e o Sindicato dos Rodoviários para impedimento da prestação de serviço por ônibus comprova a motivação política do movimento e o descaso com a população e a economia local";
"O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo referente às paralisações ilegais promovidas pelo sindicato em 2020, considerou a greve abusiva e autorizou a compensação das horas paradas dos trabalhadores envolvidos na referida greve que foi promovida com violação à Lei 7.783/1989";
"A empresa compensou a quantidade de horas não trabalhadas apenas dos empregados que promoveram a suspensão dos serviços na greve considerada abusiva pela Corte Superior do Trabalho, o que demonstra que a ação do sindicato em impedir a saída da frota da Metropolitana é a repetição de mais uma ilegalidade e de evidente abuso de direito";
"Apenas 39 dos 550 motoristas precisaram compensar horas não trabalhadas";
"Tomará as medidas cabíveis para evitar que eventos como este, que também descumprem a Lei 7.783/1989, continuem provocando transtornos aos nossos clientes".
Ao todo, 180 mil passageiros usam o Metrô do Recife diariamente, de acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A paralisação foi decretada pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro) e começou às 22h da quarta (12).
Segundo a categoria, o motivo foi a possibilidade de privatização da CBTU, que foi mantida pelo governo federal no Programa Nacional de Desestatização (PND). Além disso, também de acordo com o sindicato, houve entraves na homologação do acordo coletivo com a categoria em torno do piso e de reajuste salariais.
Sobre a manifestação dos metroviários, a CBTU disse que:
Lamenta a paralisação por 24 horas, mas respeita a decisão da categoria;
O Sindicato dos Metroviários será novamente convocado para retomar as discussões sobre as cláusulas do acordo coletivo de trabalho 2023/2024;
Vai se reunir com os metroviários na sexta-feira (13), e que "continua aberta às negociações e o diálogo com o Sindmetro".
Com informações do G1 Pernambuco