Três suspeitos da morte de Mãe Bernadete são presos na Bahia / Foto: Folha PE.
O filho de Mãe
Bernadete, Jurandir Wellington Pacífico, disse à Agência Brasil que ficou sabendo das
prisões pela internet. Ele confirmou que a família fará um pronunciamento à
imprensa no fim da tarde desta segunda-feira (4), no Fórum Ruy Barbosa, do
Tribunal de Justiça da Bahia.
Já o advogado responsável pela defesa da família
de Mãe Bernadete e integrante do Instituto Malê de Acesso à Justiça e Cidadania
(IMAJ), David Mendes, declarou à Agência
Brasil que recebeu com preocupação as declarações dadas pelo secretário de
Segurança Pública [Marcelo Werner] “haja vista que foram apresentados apenas
parte dos executores do crime, porém nada disse acerca dos respectivos
mandantes”, cobra o advogado David Mendes.
O advogado, que também defende os direitos de
outras comunidades quilombolas do estado, relembrou que a Pitanga de Palmares
nunca registrou problemas relacionados ao tráfico de drogas ou à presença de
facções criminosas em território, mas que as ocorrências começaram naquele
território a partir da implantação de um presídio por parte do governo
estadual, inaugurado no ano de 2002.
“Somente a partir
da implantação da aludida unidade prisional foi que a comunidade passou a
conviver com a presença do tráfico de drogas e do crime organizado naquele
território - e há inúmeras pesquisas acadêmicas que comprovam que onde há a
implantação de unidades prisionais inexoravelmente há o aumento da
criminalidade/violência, haja vista a ocupação de imóveis ao redor do presídio
por parte de familiares dos presos e membros das facções criminosas às quais
eles pertencem”, desabafa o advogado David Mendes.
A presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
ministra Rosa Weber, se referiu, na manhã desta segunda-feira, à Mãe Bernadete,
durante o II Seminário sobre Questões Raciais no Poder Judiciário, realizado na
sede do CNJ, em Brasília.
“Uma mulher negra
a denunciar racismo e ameaças sofridas, uma mãe que convivia, sem esmorecer,
com a indignação e o desconsolo infindo de um filho assassinado havia seis
anos, sem sequer a identificação dos criminosos, executores e eventuais
mandantes e que lutava com sua voz corajosa contra esta odiosa impunidade, é
exemplo candente de que o Estado brasileiro falhou e de que falhamos todos nós,
cotidianamente, na defesa da vida, da integridade, dos valores e dos direitos
da população negra, em nosso país”.
Em 30 de agosto, o CNJ informou que as apurações sobre o assassinato da Mãe Bernadete e do filho dela, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos (Binho do Quilombo), ocorrido em 2017, serão acompanhadas pelo Observatório das Causas de Grande Repercussão. O colegiado é formado pelo próprio CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O CNJ afirma que os dois casos estão, aparentemente, relacionados com a defesa da causa quilombola em território ainda sob conflito fundiário.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.