
Retorno as atividades do Mercado da Encruzilhada após o incêndio / Foto: Folha PE.
O Mercado Público da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, voltou a funcionar, na manhã desta quarta-feira (6). O local, que foi palco de um grande incêndio, no último domingo (3), foi aberto aos permissionários às 6h e ao público às 8h. É impossível transitar no local ainda sem sentir o cheiro forte da fumaça. Por todas as partes, clientes e comerciantes comentam sobre o fato.
O local possui 217 boxes. Durante o incêndio, 11 operações foram afetados pelo fogo. Equipes do Conviva, órgão que fiscaliza mercados e feiras no Recife, estão no local para vistoriar as condições de funcionamento.
Duas vistorias foram feitas no estabelecimento público até agora, sendo uma da Defesa Civil do Recife e outra do Instituto de Criminalística (IC).
O presidente dessa autarquia, Gabriel Leitão, destaca que a maior parte do mercado público permaneceu íntegra e com plena capacidade de funcionamento. Ele frisa as medidas que estão sendo adotadas pelo órgão.
"Estamos fazendo a revisão das redes
elétricas, de combate incêndio e de manutenção para garantir essa segurança
para a reabertura", disse.
Sobre o forte cheiro da fumaça, Leitão explica que
o trabalho para retirada dos escombros é minucioso e que até o fim da semana,
tudo deve ser retirado do local.
"Esse trabalho de demolição e remoção dos
enturos ainda vai gerar esse inconveniente, mas que não impede, não atrapalha
na operação aqui direta do mercado, que já é uma questão residual, de pequeno porte,
que não influencia aqui na operação da dinâmica de funcionamento do
mercado", acrescenta o líder.
Os permissionários afetados pelo incêndio, ainda segundo o gestor do Conviva, vão poder voltar as atividades pelo menos até à próxima semana, quando estruturas de contaiers forem instaladas no entorno do mercado.
Os comerciantes que voltaram a trabalhar estão tendo que lidar com a repercussão do assunto. Em todos os cantos do mercado se fala sobre o incêndio. Gutemberg Alencar, de 66 anos, trabalha com o setor de frios. Ele perdeu boa parte da mercadoria que, sem refrigeração, por conta da interrupção do fornecimento de energia, ficou inutilizável.
"Eu soube até mais do meu sócio. Ele me ligou, disse que o mercado estava pegando fogo, que não estava conseguindo ter acesso à loja, e com isso a gente ficou sem saber o que fazer. Ficamos aguardando as instruções das autoridades competentes para permitir o acesso à loja e a gente retirar os patrões", afirma.
Sobre o forte cheiro de fumaça, o comerciante explica que é preciso lidar com o problema que, por mais que seja passageiro, faz muito mal à saúde.
"As pessoas falam desse cheiro forte, com certeza, porque a fumaça em si é danosa à saúde de todo o ser humano, e ela está muito forte. Ainda há o rescaldo. Não foi retirada ainda a parte que queimou totalmente. A gente vai ter que aguardar para que essa situação seja sanada o mais breve possível", concluiu.
José Casado tem 60 anos e frequenta o mercado. Ele também mora nas redondezas. O cliente comenta sobre a passagem de turistas pelo local, que voltou a funcionar, mas com restrições.
"A estrutura que foi mais danificada foi isolada, aí eu acho que vai andar como sempre era, só que aquela parte a gente não vai poder utilizar por enquanto. A gente sempre vê turista por aqui. Está muito perigosa a Zona Norte do Recife. A gente tem ouvido vários relatos. Na minha rua, você tem que estar sempre com cuidado, porque vem assalto, o pessoal rouba os carros. Você tem que sempre estar andando com precaução, de noite você não pode andar por aqui. Eu mesmo não ando por aqui de noite, finalizou.
Para conter o forte cheiro de fumaça, os trabalhadores da Prefeitura do Recife isolaram o local atingido com tapumes de zinco.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.