
Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Notícias ao Minuto.
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) rebateu críticas à Operação Lava Jato e respondeu ao presidente Lula (PT) durante o congresso nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), neste sábado (4). Ele alertou a plateia, formada por simpatizantes da direita, sobre o que considera risco às liberdades no país.
"A gente não pode esquecer o que aconteceu nesse país. Porque, hoje, se a gente for esquecer [...], nós estamos perdendo essa guerra", discursou, afirmando lamentar o processo de revisão da Lava Jato e o que considera paralisia do combate à corrupção no país.
"O que eles mataram foi o combate à corrupção", afirmou o senador, para quem há um esforço em "reescrever a história para dizer que ladrão não é ladrão e que a Petrobras não foi roubada".
"Resgatar a verdade é importante para a gente fazer oposição ao presidente e construir o nosso futuro", continuou, descrevendo o que chamou de desmanche do combate à corrupção e à criminalidade em geral.
Ainda segundo ele, "não tem um corrupto preso no Brasil" hoje porque "ninguém está investigando". Moro disse que procuradores e magistrados que atuem no tema passarão a ser perseguidos e sofrem processos disciplinares em órgãos das carreiras, como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
O coordenador nacional do MBL, Renan Santos, afirmou que a atividade no congresso era um ato de desagravo a Moro e ao legado da operação.
Diferentes pontos levantados pela defesa de Lula levaram à declaração de parcialidade de Moro, como condução coercitiva sem prévia intimação para oitiva, interceptações telefônicas do ex-presidente, familiares e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos.
Além disso, mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas pelo site e por outros órgãos de imprensa, como a Folha, expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato e colocaram em dúvida a imparcialidade dele como juiz no julgamento dos processos da operação.
Em resumo, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.
O MBL foi entusiasta e apoiador da pré-candidatura de Moro à Presidência da República em 2022, que acabou não se concretizando. Membros do movimento chegaram a se filiar em massa ao Podemos (à época partido do ex-juiz) para reforçar a campanha nacional. O ex-magistrado acabou sendo eleito senador pelo Paraná.
O plano é iniciar a coleta das assinaturas necessárias para oficializar o pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). É preciso reunir 492 mil apoios, distribuídos por ao menos nove estados. A expectativa é que o partido esteja formado para as eleições de 2026. Nas de 2024, o formato atual será mantido.
Fundado em 2014 como um movimento em defesa do liberalismo, o MBL convocou protestos de rua contra o PT e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ajudou a impulsionar a direita no país pós-2013, ganhou popularidade nas redes sociais e desde 2016 tem braços na política institucional, com membros eleitos com o apoio do grupo.
Depois de apoiar a eleição de Jair Bolsonaro (à época no PSL, hoje no PL), o movimento rompeu com o presidente no início do governo, o que levou o grupo a um reposicionamento político e acabou mais tarde provocando a saída de membros e uma reorganização da base de militantes.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.