
A recomendação pede que essas medidas alcancem políticas voltadas aos direitos das mulheres, das pessoas negras, indígenas, ciganas, LGBTQIAP , pessoas com deficiência (PCD) (Rafael Vieira/DP).
A discriminação de gênero, raça e orientação sexual em delegacias do estado está na mira do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Esta semana, o MPPE fez uma série de recomendações ao
governo do estado para a adoção de políticas públicas antidiscriminatórias nos
distritos policiais.
A recomendação pede que essas medidas alcancem políticas
voltadas aos direitos das mulheres, das pessoas negras, indígenas, ciganas,
LGBTQIAP+, pessoas com deficiência (PCD) e demais grupos sociais “não
hegemônicos”.
O MPPE também pediu que Executivo estadual elabore diretrizes para realizar ações para combater casos desse tipo.
E deu um prazo até fevereiro do ano que vem para que seja
apresentado um planejamento para elaboração e implantação dessas
ações.
No documento, expedido na quinta (9), o MPPE recomenda,
por exemplo, que a Secretaria de Defesa Social (SDS) adote políticas para
contemplar medidas educativas e informativas para garantir o exercício das
atividades para a corporação “em consonância com os direitos de
comunidades sociais”.
De acordo com o MPPE, a recomendação feita à
corporação tem o
caráter educativo. Além disso, os promotores recomendam a
adoção da promoção nos órgãos de controle internos da Polícia Civil, de
investigações e eventual responsabilização pela prática de atos
discriminatórios por integrantes da polícia no exercício de suas funções.
Ainda de acordo com o MPPE, a recomendação também cobra
da SDS a implementação de mecanismos eficientes de compliance (conjunto
de regras para que o negócio funcione legalmente) antidiscriminatório para
prevenir combater a prática de violência institucional contra grupos
historicamente discriminados.
De acordo com Promotor de Justiça de Defesa da
Cidadania da Capital, Maxwell Vignoli, as ações antidiscriminatórias
“proporcionam reestruturação de poder, através da
emancipação de grupos estigmatizados e consequente transformação social”.
Também proporcionam, segundo ele, a implantação de um
“estado social democrático de direito, nos moldes dos fundamentos elencados no
artigo 1º e os objetivos fundamentais listados no artigo 3º da Constituição
Federal”.
O Diario de Pernambuco solicitou informações ao MPPE
sobre o que teria motivado essas recomendações, mas não recebeu a resposta até
a última atualização desta reportagem.
O que diz o governo
Procurada pela reportagem do Diario de Pernambuco, a SDS
informou por meio de nota que a polícia vem realizando divulgação de cursos,
que são ministrados em outras instituições, acrescentando na atuação do
trabalho realizado pelos policiais civis.
Também disse que “vem buscando parcerias com outras
instituições, para somar conhecimentos que sejam disseminados na
corporação. Por fim, ressalta que foi iniciado processo de divulgação de
cursos existentes na plataforma SENASP/EAD, de temas relacionados ao racismo e
ao público LGBTQIA , incentivando o efetivo a realizar esses cursos, buscando
aprimorar o atendimento prestado nas unidades da PC em nosso Estado”.
Ainda de acordo com a secretaria, “a recomendação feita pelo Ministério Público reforça as ações realizadas pela Secretaria de Defesa Social, através da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE)”.
“Atualmente, contamos com o Grupo de Trabalho Racismo,
que visa investigar os delitos praticados contra integrantes da sociedade, como
também, realizar capacitação de policiais nas temáticas relacionadas a grupos
vulneráveis”, complementou a SDS.
Cartilha
Ainda de acordo com a SDS, este ano, uma cartilha foi
elaborada sobre o atendimento à população LGBTQIA . “Está em andamento a
inclusão de um curso na grade curricular da Acadepol, previsto para o próximo
ano, que abrange assuntos relacionados à política antidiscriminatória. A
PCPE entende que referidos conhecimentos são relevantes não só para uma melhor
prestação do serviço público, mas também para o fortalecimento de uma
consciência entre os integrantes da instituição, facilitando a identificação de
práticas discriminatórias internas, quando vierem a ser observadas, e o seu
combate”, destacou a pasta
Delegacia da Mulher 24 horas
Em março, a governadora Raquel Lyra (PSDB) determinou que
seis unidades da Delegacia da Mulher distribuídas no Recife, na Região
Metropolitana e no Interior do estado, funcionem em plantão 24h por dia, sete
dias por semana.
A medida englobou as Delegacias Especializadas no
Atendimento à Mulher do Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes,
Petrolina, no Sertão, e Caruaru,
Na época, o governo afirmou que a ampliação no
funcionamento é um reforço na segurança da mulher, principalmente, nos períodos
da noite e nos finais de semana.
Homofobia e Transfobia equiparados a crimes de Injúria
Racial
No último mês de agosto, o Plenário do Supremo Tribunal
Federal (STF) reconheceu que atos ofensivos praticados contra pessoas da
comunidade LGBTQIAPN podem ser enquadrados como injúria racial. A decisão foi
tomada na sessão virtual concluída em 21 de agosto, no julgamento de recurso
(embargos de declaração) apresentado pela Associação Brasileira de Lésbicas,
Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).
O julgamento do mandado de injunção, em junho de 2019, o
STF havia reconhecido a omissão do Congresso Nacional em criminalizar a
discriminação por identidade de gênero e orientação sexual e determinado o
enquadramento da homotransfobia no tipo penal definido na Lei do Racismo (Lei
7.716/1989), até que o Legislativo edite lei sobre a matéria.
De acordo com o Código Penal, no artigo 20. prevê que
praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional tem a pena de um a três anos de
reclusão, além de multas.
Nome social
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
disponibiliza à comunidade LGBTQIAPN o serviço Divisão de Apoio a Testemunhas e
Vítimas de Intolerância (DIVTVIN), criada por meio da Portaria nº 144 de 2013,
da Polícia Civil de Pernambuco. A Divisão foi implantada para atender de forma
mais humanizada às vítimas de intolerância, entre elas, as de homofobia.
O atendimento é realizado por policiais capacitados no atendimento do público LGBT, vítimas de diversos tipos de crimes. Estes policiais realizarão o atendimento e a investigação dos referidos crimes.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.