Publicada em 14/11/2023 às 11h18.
Retidos em hospital em Gaza com mais de 100 corpos, palestinos vão enterrar mortos dentro do complexo hospitalar
Conflito iniciou em 7 de outubro



Pessoas retidas no Hospital Al Shifa de Gaza planejam começar a enterrar corpos dentro do complexo hospitalar, nesta terça-feira, sem aprovação israelense, porque a situação se tornou insustentável, disseram duas fontes do hospital.


O Dr. Ahmed Al Mokhallalati, um cirurgião, e o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza Ashraf Al-Qidra disseram em entrevistas telefônicas separadas, de dentro do complexo, que mais de 100 corpos se acumularam lá, criando uma crise sanitária aguda.


"Estamos planejando enterrá-los hoje em uma vala comum dentro do complexo médico Al Shifa. Vai ser muito perigoso, pois não temos nenhuma cobertura ou proteção do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha.


mas não temos outras opções, os corpos dos mártires começaram a se decompor", disse Qidra. "Os homens estão cavando neste exato momento em que falamos."


Qidra calculou o número de corpos que se acumularam no Al Shifa em cerca de 100. Mokhallalati disse que eram cerca de 120.


O hospital, sitiado pelas forças israelenses e próximo ao local onde ocorrem intensos combates entre elas e o Hamas, deixou de funcionar normalmente, com eletricidade, água e outros itens básicos insuficientes.


Mokhallalati disse que os corpos estavam gerando um mau cheiro insuportável e representando um risco de infecção.


"Hoje tivemos um pouco de chuva... Foi realmente horrível, ninguém podia sequer abrir uma janela", afirmou ele.


"Infelizmente, não há aprovação dos israelenses nem mesmo para enterrar os corpos dentro da área do hospital", disse ele.


"Enterrar 120 corpos requer muito equipamento, não pode ser feito à mão e por uma única pessoa. Levará horas e horas para conseguir enterrar todos esses corpos", acrescentou.


Israel diz que o Hospital Al Shifa fica acima de túneis que abrigam um quartel-general para os combatentes do Hamas, que são os culpados por sua situação difícil por usarem os pacientes como escudos humanos. O Hamas nega isso.

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