
Fabiane Pereira, jornalista - Foto: Maria de La Gala / Folha-PE.
"Estou falando com você agora de São Paulo e
daqui a duas horas vou pegar um avião para ir para Recife". Ainda assim,
sem pressa, as respostas para um tanto de perguntas vieram em tom de quem não
hesita em reiterar sobre o quão fundamental é o papel do jornalismo e, para
além, do jornalismo cultural - viés abraçado pela comunicadora carioca Fabiane
Pereira e reverberado em trabalhos País afora, entre eles o projeto Papo
de Música.
E é com ele que nesta sexta (24) e sábado (25), a Caixa
Cultural Recife, Bairro do Recife, será ocupada, de olho no mercado da música e
em toda sua diversidade e potência, movimentados em debates e programação
voltada à imponência do fazer artístico que é a música brasileira.
Com acesso gratuito, artistas, jornalistas
culturais e personalidades do meio integram as atividades programadas para o
evento que terá, entre outros, nomes como Ceumar, Jorge du Peixe e Joyce Alane,
com Fabiane ora como mediadora em debates, ora à frente do festival - concebido
a partir do seu canal
homônimo no YouTube - e que foi contemplado no Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural para
circular também em outras cidades do País, além de Recife, a exemplo de Rio de
Janeiro e Curitiba.
"A curadoria do festival é voltada para fazer um
intercâmbio entre artistas locais e outros de fora da cidade. A ideia é fazer
essa troca, desde o início uma premissa do projeto", conta ela, em
conversa com a Folha de Pernambuco, e que há pelo menos cinco anos também é
"dona" do semanal "Vozes da Vez", na Rádio Novabrasil FM.
"Minha vida inteira trabalhei em rádio, um veículo de massa que chega a 83% dos domicílios brasileiros", reforça, sobre a importância desse tipo de mídia.
Olhar Periférico
Sendo mulher e negra, Fabiane não vê sentido em não
batalhar para que pessoas iguais a ela tenham também lugar de destaque. Não à
toa, o foco de suas produções no jornalismo cultural é o olhar periférico,
feminino, indígena e LGBTQIAPN+.
"São grupos historicamente sub representados (...) É minha bandeira, minha luta, e minha curadoria é voltada para isso", enfatiza ela, que se coloca como "politicamente retilínea e do lado certo da trincheira", mesmo que preterida "desde que se entende por gente".
"Por ser mulher preta, por ser mulher que se
posiciona nas redes. Mas muitas vezes prefiro ser preterida sabendo que estou
do lado certo da trincheira, do lado que acredito e que luto para ser mais
amplo, mais diverso e mais plural", ressalta e lembra no decorrer da
conversa uma frase de Gil, sobre a necessidade de "(...) acabar com essa
história de achar que a Cultura é uma coisa extraordinária. Cultura é
ordinária" - pressuposto utilizado na prática por ela, quando dá voz a
tantos que reversos a modelos (comerciais) de mercado, passam
despercebidos em seus fazeres artísticos, "mas existem e persistem e
resistem", completa.
Serviço
Festival Papo de Música, com Fabiane Pereira
Quando: nesta sexta (24) e sábado (25), a partir das
10h30
Onde: Caixa Cultural Recife - Av. Alfredo Lisboa, 505,
Bairro do Recife
Acesso gratuito mediante retirada de ingressos na
bilheteria do local, uma hora antes do início de cada atividade.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR.