Publicada em 11/07/2025 às 08h22.
Indústria e comércio pernambucanos serão afetados pela tarifa de Trump
Entidades da indústria e do comércio de Pernambuco e de outros setores em todo o país reagiram à taxação imposta pelos EUA, ressaltando os impactos na economia brasileira


A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% de importação sobre produtos brasileiros, anunciada na última quarta-feira (9), gerou reação de entidades do setor produtivo pernambucano, que consideram a medida uma ameaça direta à competitividade da indústria e comércio do estado no mercado norte-americano, um destino estratégico às exportações pernambucanas.


A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) evidenciou que Pernambuco mantém importantes relações comerciais com os Estados Unidos nos setores de açúcar, frutas tropicais, estruturas metálicas, chapas plásticas e derivados de petróleo.


"A indústria pernambucana pode ser duramente impactada com a redução de embarques, perda de contratos internacionais e retração na demanda por bens produzidos localmente", frisou a entidade em nota. 


A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo Pernambuco (Fecomércio-PE) considerou a medida uma catástrofe para os negócios locais, especialmente para o agronegócio e o comércio. "Cerca de 35% da exportação de Pernambuco é do agronegócio, que é justamente as frutas e o álcool. Os Estados Unidos é o segundo maior parceiro econômico do Brasil. Se houver uma ruptura, se o governo retaliar, será uma calamidade. Quando cai a exportação, também há queda do comércio interno, e isso se torna uma bola de neve", ressaltou o presidente da Fecomércio, Bernardo Peixoto.


"Petrolina foi a cidade que mais cresceu, hoje tem o maior IDH do Nordeste, graças à produção de frutas. Se houver uma ruptura, para onde iremos vender?", questionou Peixoto. 


Já o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, afirmou que uma retaliação por parte do Brasil não seria economicamente inteligente, já que o país depende de produtos norte-americanos, como máquinas, equipamentos, fertilizantes e matéria-prima essencial para a indústria nacional.


"Precisamos de máquinas e equipamentos para poder fazer investimentos nas nossas indústrias. Nós precisamos de matéria-prima, de fertilizante. Ou seja, no momento em que houver uma sobretaxa desses produtos importados, nós vamos encarecer o nosso material", argumentou Veloso. 


Veloso defende ainda que o conflito seja resolvido por meio do diálogo diplomático e alerta para os riscos de transformar a questão econômica em palanque político para evitar riscos de uma retração na economia brasileira. "Temos que resolver pensando no nosso país, no nosso produto, nas nossas indústrias, e não fazer com que esse assunto vire um assunto puramente político, porque então agravaria um problema econômico", disse. 


Já o presidente da Fecomércio acrescentou ainda a possibilidade de diminuição do fluxo de navios pelo estado, enfraquecendo o movimento portuário no Porto de Suape, por exemplo. "Sem carga, até os itinerários das embarcações serão afetados. E isso será muito difícil de recompor", avaliou. 


No país, representantes dos setores econômicos também reagiram.


O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) afirmou que a iniciativa de Trump “ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica”. Segundo a entidade, não há justificativa econômica plausível, já que os Estados Unidos mantiveram superávit comercial com o Brasil nos últimos dez anos — de US$ 91,6 bilhões em bens e US$ 256,9 bilhões se incluído o comércio de serviços.


Outras instituições de abrangência nacional reforçaram o apelo por canais diplomáticos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) pediu o restabelecimento da previsibilidade nas relações bilaterais. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) alertou para possíveis impactos negativos na geração de empregos, produção e investimentos. Já a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) classificou a medida como um “grave retrocesso”, que pode comprometer a competitividade da cadeia produtiva do setor.


A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) demonstrou preocupação com a perda de competitividade frente a outros países exportadores, como Itália, Turquia e Índia. Para a entidade, o Brasil pode perder espaço no mercado norte-americano.


Em nota, todas as entidades destacaram a importância de preservar os laços comerciais entre os dois países, considerados historicamente relevantes para a economia brasileira. Em Pernambuco, setores como o têxtil, o alimentício e o de minérios têm participação no fluxo de exportações para os Estados Unidos.

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