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No julgamento que começa nesta terça-feira na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) haverá cinco pessoas sentadas no banco dos réus, mas ao longo das investigações pelo menos mais dez pessoas foram identificadas como tendo alguma relação com o assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Confira abaixo os nomes dos envolvidos e o contexto em que aparecem na trama:
Domingos
Brazão
Conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), Domingos
Brazão tem uma trajetória na política marcada denúncias em torno de suas
atividades político-empresariais com suspeitas de corrupção, fraude,
improbidade administrativa, compra de votos e homicídio ao longo de pouco mais
de três décadas. Ele e seu irmão Chiquinho Brazão foram apontados como mentores
do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes na
delação de Ronnie Lessa, que confessou ter executado o crime.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a motivação estaria na relação dos irmãos Brazão com a grilagem de terras. Eles estariam buscando a regularização de um condomínio no bairro de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da cidade. De acordo com a denúncia, os dois defendiam os interesses de milícias “junto às instituições de Estado”.
Chiquinho Brazão
O julgamento acontece no Supremo pelo fato de
Chiquinho Brazão (sem partido) exercer a função de deputado federal à época da
denúncia. Ele disputou a eleição pelo União Brasil em 2022 e foi eleito com
77.367 votos. Antes disso, nas eleições de 2018, conquistara seu primeiro
mandato na Câmara dos Deputados pelo Avante, tendo recebido 25.817 votos. Em
abril do ano passado o parlamentar teve seu mandato cassado pela Mesa Diretora
da Casa devido a 72 ausências “não justificadas”.
As faltas foram se acumulando após a prisão do parlamentar, em março de 2024. Ele foi apontado como sendo um dos mandantes do crime na delação de Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora e de seu motorista.
Rivaldo
Barbosa
Preso desde março de 2024, o delegado Rivaldo Barbosa é acusado de ter agido
para atrapalhar as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle
Franco e seu motorista Anderson Gomes. Segundo a delação de Ronnie Lessa, que
confessou ter assassinado a dupla, o policial teria usado sua influência como
chefe de Polícia Civil à época do crime, em 2018, para oferecer aos irmãos
Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime, "a certeza
da impunidade". Em 13 de fevereiro deste ano, Barbosa, que é réu no
Supremo Tribunal Federal (STF), foi denunciado pela segunda vez pelo Ministério
Público Federal (MPF), desta vez acusado de integrar associação criminosa e de
obstruir a apuração do duplo homicídio.
Ronald
Paulo Alves Pereira, o Major Ronald
Preso desde 2019 por ocasião da Operação Intocáveis, que investigou o
envolvimento de policiais com a milícia da Muzema e de Rio das Pedras e com
assassinatos ocorridos no Rio, o oficial da PM Ronald Paulo Alves Pereira,
conhecido também como Major Ronald, foi apontado na delação de Ronnie Lessa
como tendo sido responsável por monitorar os passos da vereadora Marielle
Franco nas semanas que antecederam o crime.
O policial, segundo investigação do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio (Gaeco), seria um dos chefes da milícia da Muzema. De acordo com Lessa, o major é "um dos maiores construtores daquilo ali". "Todos aqueles prédios de Rio das Pedras, Muzema, Tijuquinha, tem que passar pelo crivo do Ronald. O Ronald é o construtor”, resumiu Ronnie Lessa em sua delação.
Robson Calixto da Fonseca, o Peixe
Robson Calixto, o Peixe, figurou na equipe de assessores de Domingos Brazão na
Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e seguiu trabalhando para o
ex-parlamentar quando ele se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado
do Rio (TCE-RJ). De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele
"funcionou como intermediário das conexões entre os executores dos delitos
e os respectivos mandantes", referindo-se às mortes de Marielle e
Anderson.
Giniton
Lages
Chefe da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) na época em que as mortes
ocorreram, foi encarregado do caso e nomeado por Rivaldo Barbosa. Segundo a
Polícia Federal, ele teria desviado o curso das investigações para proteger os
mandantes.
Ronnie Lessa
O ex-policial militar é assassino confesso de Marielle e Anderson. Em delação, ele apontou Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes. Foi preso em março de 2019. Em 2021, foi expulso da PM e condenado a quatro anos e meio de prisão pela ocultação das armas que teriam sido usadas no crime.
Elcio Queiroz
O ex-sargento da Polícia Militar foi expulso da corporação em 2015. Ele dirigiu o carro em que estava Lessa no momento do crime. Preso desde 2019, apontou em delação outros participantes da operação.
Maxwell Simões Corrêa, o Suel
O ex-sargento da Polícia Militar foi expulso da corporação em 2015. Ele foi acusado de ceder o carro que seria usado no assassinato de Marielle e Anderson, além de participar do sumiço das armas do PM reformado Ronnie Lessa, réu pelas mortes. A investigação apontou que o armamento foi retirado de um apartamento de Lessa e depois jogado no mar da Barra da Tijuca.
Edmilson da Silva de Oliveira, o Macalé
O ex-PM atuava como miliciano em bairros da Zona Sudoeste sob influência política dos Brazão. Ronnie Lessa afirmou em delação que foi contratado por ele. Acabou morto em 2021.
Edilson Barbosa dos Santos, o Orelha
Foi apontado como dono do ferro-velho que desmanchou o Cobalt prata, usado no assassinato. Segundo denúncias, o Cobalt foi levado até Edilson no dia 16 de março de 2018. Conforme os promotores, Orelha "embaraçou a investigação", uma vez que deu sumiço ao veículo usado no homicídio.
Marco Antônio de Barros Pinto, o Marquinho DH
Subordinado a Giniton Lages, o comissário de Polícia Civil também chefiou as investigações do crime, sendo acusado de ter atuado para obstruir a elucidação dos assassinatos. Utilizou depoimentos falsos para desviar o foco das autoridades.
Érika Andrade de Almeida Araújo
Advogada e mulher do delegado Rivaldo Barbosa, ela é suspeita de ter lavado dinheiro para o marido, principalmente de recursos ligados ao caso Marielle.
Laerte Silva de Lima
Integrante da milícia de Rio das Pedras, infiltrou-se no partido de Marielle, o PSOL, para levantar informações sobre a atuação da parlamentar. Foi preso em 2019.
Erileide Barbosa da Rocha
Mulher de Laerte, presa por envolvimento com o grupo paramilitar, também se filiou ao PSOL um ano antes do assassinato de Marielle e Anderson.
FONTE: FOLHA PE.