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O dia 12 de março representa uma data simbólica para Pernambuco. As cidades-irmãs, Recife e Olinda, completam 489 anos e 491, respectivamente, nesta quinta-feira.
Os dois territórios carregam uma conexão intrínseca, que combina aspectos culturais com espaços históricos para o estado.
“São cidades mais que irmãs. Elas são quase a mesma matéria, que se retroalimentam e vão crescendo juntas ao longo do tempo”, explicou o professor de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), George Cabral.
Para os espaços históricos terem sentido nas cidades, faz-se necessária a presença de gente. Na visão do arquiteto e urbanista Francisco Cunha, a qualidade de vida de uma cidade é diretamente proporcional à qualidade do espaço público.
As cidades-irmãs são capazes de conectar o patrimônio do centro do Recife e do Sítio Histórico de Olinda com áreas públicas de convivência.
"Recife e Olinda, juntas, têm um acervo histórico e cultural grandes. Elas fazem um binômio que é um dos lugares mais extraordinários do Brasil e do mundo", disse o sócio da TGI Consultoria.
Centro do Recife
Nascida na capital pernambucana, a cantora Isaar, de 52 anos, tem no centro do Recife suas principais memórias afetivas com a cidade.
Desde a infância transitando pelas ruas nos arredores do Mercado de São José e da Avenida Guararapes até o início da carreira artística.
"Eu tenho uma relação afetuosa com a cidade inteira, mas especialmente com o centro da cidade. O Pátio de São Pedro foi praticamente uma casa, um espaço de encontro. É uma relação onde você encontra pessoas de outros espaços da cidade", afirmou.

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A área central do Recife também marca a relação do artista visual, Tacio Russo, 30 anos, com a cidade.
A rotina diária nos tempos de escola saindo do Alto Santa Terezinha, na Zona Norte, até o centro foi parte fundamental da sua construção artística.
"Eu gosto de criar minhas poesias e lambes como se fossem uma conversa com a cidade. Tento me comunicar com a cidade através desses poemas e tento transcrever o que a cidade fala para mim através deles. É vivendo e andando pelo Recife que vem essa minha relação com a expressão artística. A cidade é minha maior inspiração", relatou.

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Espaço
cultural
Mais do que a vista panorâmica das cidades-irmãs, o Alto da Sé, em
Olinda, é composto por uma gama de pessoas que fazem parte da paisagem urbana
do local.
A olindense Maria José Moreno da Silva, de 86 anos, é uma das tapioqueiras mais conhecidas do principal ponto turístico de Olinda. Zeinha, como é conhecida, vende tapioca na Sé desde 1972.
Segundo Zeinha, trabalhar no Alto da Sé é um privilégio por estar conectado com visitantes de todos os lugares.
"É muito bom trabalhar no Alto da Sé. Se a gente sai de casa estressado, chega aqui e esquece tudo. Conversa com um, com outro, conhece muita gente. É bom demais. É um lugar bonito, em contato com a natureza", disse.

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Nascida no Conde, Litoral Norte da Bahia, a artista plástica Iza do Amparo, de 79 anos, não se arrepende da escolha que fez em 1982, quando decidiu morar em Olinda.
Desde que chegou a Pernambuco, Iza mora no Sítio Histórico de Olinda, mais precisamente na Rua do Amparo, onde reside e mantém o espaço Ateliê Iza do Amparo há mais de 40 anos.
"Eu acho que foi uma questão de destino, Olinda mandou me buscar. É uma universidade natural. Você vive nela, cria cultura pela disposição de ser uma comunidade diversificada", destacou.

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FONTE: FOLHA PE.