Publicada em 12/03/2026 às 10h35.
Chico Science: entre rios, pontes e ladeiras, o mangueboy que reescreveu as "cidades-irmãs"
No aniversário de Olinda e Recife, lembrança do criador do Manguebeat, que completaria 60 anos em 2026, evidencia como o território moldou sua obra e como sua música redefiniu a autoestima cultural pernambucana.

Foto: Divulgação.   


 Não há quem melhor sintetize Olinda e Recife, nos últimos 30 anos, do que Francisco de Assis França, ou melhor, Chico Science. A propósito, as cidades-irmãs aniversariam hoje, 12 de março, e amanhã (13), Chico completaria 60 anos de idade.


A coincidência de datas ajuda a lembrar o quanto a trajetória do artista se confunde com a história recente das duas cidades. Chico, que nasceu em Olinda e começou a experimentar-se artista transitando pela capital pernambucana, transformou mangues, rios, ladeiras e ritmos populares em uma estética que redefiniu a música brasileira contemporânea nos anos 1990.


Nas letras, nos ritmos e na estética do Manguebeat, Chico construiu uma linguagem que unia tradição e modernidade, conectando mangues, maracatus e vida urbana a sonoridades globais, como o rock e o hip-hop. Tudo isso, tendo as duas cidades como matéria-prima de sua criação.


O que Recife e Olinda deram a Chico


A convivência cotidiana com as duas cidades marcou profundamente o olhar artístico do compositor. “Ele observava muito o movimento das ruas, os rios, as pontes, o mangue, o jeito das pessoas falarem. Tudo isso fazia parte do universo criativo dele e acabava indo para o palco e para as composições”, afirma Gilmar Bolla 8, ex-percussionista da Nação Zumbi. 


O parceiro de Movimento, Fred Zero4, destaca o conceito “Mangue”, ecossistema que atravessa as duas cidades, na lírica de Chico. “Ele cresceu pegando caranguejo em Rio Doce.  A sacação dele de criar essa alegoria do mangue, o termo mangue, esse aspecto bem geográfico para o tipo de linguagem que ele queria desenvolver, falar de mangueboy… isso porque ele cresceu nessa geografia do mangue.”


Para o músico, professor e pesquisador Ricardo Maia Jr., o território também aparece como recurso simbólico. “Ele usa esse ambiente como alegoria para falar da cidade”, explica. “Ao mesmo tempo, o discurso de Chico está atravessado pela história social do Recife, pelas desigualdades formadas desde o período colonial e pela herança afro e indígena”, acrescenta.


Para Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi, Chico agregou diversas referências da identidade cultural das cidades. “Chico era catalisador de muita coisa. Sobre ele botar um meião de maracatu, se vestir de caboclo de lança no palco, ce ver a força da cultura local e vestir isso, se lançar dessa maneira. É meio uma malazarte ali, com uma certa maloqueiragem de Olinda e a expertise de um recifense.”


O que Chico devolveu às cidades


Se Recife e Olinda ajudaram a moldar o artista, a obra dele também transformou a maneira como o mundo passou a enxergar a cultura pernambucana. Ricardo Maia Jr. compara o impacto cultural do Manguebeat ao de outros fenômenos musicais internacionais. 


“A cultura cria um valor agregado imensurável para os lugares de onde vem. Assim como Liverpool ficou associada aos Beatles, muita gente passou a querer conhecer Recife por causa do que Chico relatava nas letras.”


“A partir dos anos 1990, Recife se transformou (...) o Carnaval Multicultural se deu por conta disso… muito da música foi levada a sério, foi importante para puxar muita coisa para Pernambuco… você vê a capacitação profissional, técnicos de palco, de luz, de som, que existem hoje, uma cadeia de produção absurda”, destaca Jorge Du Peixe.


“Tem a questão do ambiente cultural daqui do Recife, o quanto se transformou, o ecossistema musical, os festivais que se consagraram se tornaram referência nacional, como Abril Pro Rock, Recbeat, do maior festival de música do planeta, que é o Carnaval do Recife”, acrescenta Fred Zero4.


“Na música de Chico existia muito essa ideia de transformação: transformar o lugar onde você vive a partir da cultura, da educação e da criação artística”, pontua Gilmar Bolla 8.



FONTE: FOLHA PE.





           

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