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A
Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decidiu, por maioria
de votos, rejeitar o recurso apresentado pela defesa de Sari Corte Real e
manteve a sua condenação a sete anos de prisão em regime inicialmente fechado
pela morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva.
"Por
maioria, julgou-se improcedente a revisional, vencido o relator", afirmou
o presidente da sessão, desembargador Mauro Alencar de Barros após a conclusão
do julgamento.
A
sessão teve início às 14h16 com a sustentação oral do advogado Jailson Rocha,
assistente de acusação que representa Mirtes Renata Santana de Souza, mãe da
criança. Durante a manifestação, ele defendeu a manutenção da condenação fixada
anteriormente pela Terceira Câmara Criminal do TJPE.
“A
correta aplicação da Lei é a resposta mínima que a Justiça pode fazer pela
memória de Miguel. Defendemos a manutenção da decisão anterior, que definiu a
pena de 7 anos de reclusão com regime inicial fechado, nos termos do voto do
desembargador Eudes França. O crime de abandono de incapaz independe da idade
da criança. Não importa se tem 5, 6 ou 11 anos de idade”, afirmou.
Na
sequência, o advogado Célio Avelino, que atua na defesa de Sari Corte Real,
sustentou que a pena deveria ser reduzida para seis anos de prisão em regime
inicialmente semiaberto, seguindo o entendimento divergente apresentado pela
desembargadora Daisy Andrade apresentado durante o julgamento do caso pela
Terceira Câmara Criminal.
Sari
Corte Real ainda pode recorrer com Recurso Especial para o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e Recurso Extraordinário para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ela já tinha obtido o direito de recorrer em liberdade nos autos e esse novo
julgamento não alterou esse entendimento, porque a questão nem foi objeto de
decisão e de apreciação.
Relembre o caso
A
morte de Miguel Otávio Santana da Silva ocorreu em 2 de junho de 2020 e ganhou
repercussão nacional. O menino, de apenas cinco anos, caiu do nono andar de um
edifício de luxo conhecido como “Torres Gêmeas”, no bairro de São José, área
central do Recife, enquanto estava sob os cuidados de Sari Corte Real, então
primeira-dama de Tamandaré.
Naquele
período, durante a pandemia da Covid-19, a mãe da criança, Mirtes Renata Santana
de Souza, continuava trabalhando como empregada doméstica para a família de
Sari. Segundo as investigações, Mirtes havia saído do apartamento para passear
com o cachorro dos patrões quando Miguel tentou ir atrás da mãe. Imagens do
circuito interno mostraram o menino entrando sozinho no elevador após interação
com Sari.
De
acordo com a investigação da Polícia Civil e os laudos periciais, a criança
chegou ao nono andar do prédio, acessou uma área técnica próxima aos
equipamentos de ar-condicionado e caiu de uma altura de cerca de 35 metros.
Sari Corte Real foi denunciada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por abandono de incapaz com resultado morte. Em 2022, ela foi condenada em primeira instância a oito anos e seis meses de prisão. Posteriormente, a pena foi reduzida para sete anos de reclusão em julgamento realizado pelo TJPE.
Integram o colegiado os desembargadores Claudio Jean Nogueira Virginio, Daisy Maria de Andrade Costa Pereira, Eudes dos Prazeres França, Demócrito Ramos Reinaldo Filho, Honório Gomes do Rego Filho, Isaias Andrade Lins Neto, Eduardo Guilliod Maranhão, Marcos Antônio Matos de Carvalho e Carlos Gil Rodrigues. Filho.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.