
Foto: Divulgação.
O detento Jorge Beltrão
Negromonte da Silveira, de 64 anos, condenado pelo homicídio de três mulheres
no caso dos "canibais de Garanhuns", entrou na Justiça com um pedido
de prisão domiciliar por motivo de saúde. No pedido, ele diz ter cegueira
irreversível nos dois olhos e "demais limitações de saúde".
Atualmente, Jorge Beltrão
cumpre pena no Presídio Policial Penal Leonardo Lago (PLL), no Complexo do
Curado, Zona Oeste do Recife.
Um laudo médico juntado aos autos apontou que Jorge Beltrão se encontra estável e recebe acompanhamento clínico, psiquiátrico e psicológico na unidade.
O Ministério Público de
Pernambuco (MPPE) declarou que, apesar do laudo, é necessário "esclarecer
se o estabelecimento possui condições materiais, estruturais e de pessoal para
garantir atendimento integral e digno ao custodiado".
A manifestação do MPPE
acrescenta que a Junta Multiprofissional da Secretaria de Administração
Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) "encontra-se
atualmente sem profissional médico para emissão de parecer".
A defesa tem alegado que o
estado de saúde de Jorge Beltrão é bastante debilitado e que ele precisa da
ajuda de outras pessoas para fazer ações básicas. Além disso, afirmam que a
unidade não teria as condições adequadas para atendê-lo.
A defesa não quis se
pronunciar oficialmente sobre o caso.
No último dia 4 de março, o
juiz Evandro de Melo Cabral acolheu o parecer do MPPE. Na decisão, é mencionado
que Jorge Beltrão tem cegueira bilateral irreversível. Ele teria começado a
perder a visão ao longo dos anos e agora não conseguiria mais enxergar.
O juiz intimou o presídio para
que informe, detalhadamente, se possui condições para atender Jorge Beltrão,
especialmente com relação a mobilidade, higiene, alimentação, segurança,
administração de medicamentos e acompanhamento especializado compatível com o
quadro de saúde.
Após o posicionamento da
unidade prisional, o MPPE deverá emitir nova manifestação sobre o pedido de
prisão domiciliar.
A reportagem procurou a Seap
sobre as condições do PLL de atender às necessidades do preso. A pasta não
respondeu.
Os canibais de Garanhuns
Jorge Beltrão foi condenado, juntamente com Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, pela morte de três mulheres, duas delas em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, e outra em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
A primeira condenação saiu em 2014, por assassinar, ocultar e vilipendiar o cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, crime ocorrido em 2008, em Olinda. Jorge Beltrão, apontado como líder do trio, recebeu uma pena de 23 anos de prisão. A pena foi aumentada para 28 anos e meio em 2019.
Em 2018, ocorreu o segundo julgamento, pelas mortes de Alexandra da Silva Falcão e Gisele Helena da Silva, em Garanhuns, no Agreste. O caso teve repercussão nacional pelo fato do trio de acusados, após o crime, terem comercializado empadas com carne humana.
Jorge Beltrão foi condenado a 71 anos de reclusão, sendo 54 por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio insidioso ou cruel e uso de recurso que dificuldade ou torne impossível a defesa da vítima); 9 anos por ocultação e vilipêndio de cadáver; 5 anos por furto qualificado; e 3 anos por estelionato.
No ano passado, Jorge Beltrão voltou a ser notícia após circular nas redes sociais um vídeo em que ele é apresentado como pastor em uma unidade prisional.
"Um dia, um missionário me disse que Deus tinha uma coisa para mim e que eu iria começar a trabalhar para Deus", diz ele no vídeo.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.