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O
Ministério Público entrou nesta terça-feira com um recurso contra a soltura da
professora Monique Medeiros, acusada de homicídio por omissão do filho, Henry
Borel, em 2021. A juíza Elizabeth Louro, do 2° Tribunal do Júri, aceitou o
pedido da defesa de relaxamento de prisão porque, com o adiamento do
julgamento, poderia incorrer em excesso de prazo.
O promotor Fábio Vieira disse que, quando ocorrer
a nova audiência, marcada para 25 de maio, vai pedir a condenação de Monique e
de seu ex-companheiro Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, que está preso
e também responde pela morte do menino de 4 anos.
— Entendo que a defesa da Monique poderia ter feito o júri nesta segunda-feira, separado do de Jairinho, já que a defesa dele abandonou o plenário. Eventuais provas que aparecerem só agregarão mais — disse o promotor.
Um dos responsáveis pela defesa de Monique, o advogado Hugo Novais, disse que a estratégia que adotará é a de falar apenas a verdade.
— A estratégia é dizer como as coisas aconteceram — afirmou.
Monique deixou a penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, ainda na noite de segunda-feira. Ela foi para a casa dos pais, levando um gato que criava na prisão. O animal estava numa caixa de transporte.
Permissão para levar gato
O gato, que tem mais de 3 anos, segundo Monique,
ficava na cela e costumava dormir na mesma cama que ela. Ele vivia em um
pavilhão do Complexo de Gericinó e era cuidado por uma policial penal. Mas, há
dois anos e sete meses, quando Monique chegou à Talavera Bruce, ele teria se
aproximado da detenta.
— Ele foi meu companheiro de cárcere. Não ficava com mais ninguém, e foi ele quem me escolheu. Ele que me adotou, que me ofereceu apoio emocional em todos os meus momentos mais difíceis. Hoje ele tem um lar — disse Monique.
A ré saiu da Talavera Bruce às 18h16. Além de uma equipe de seis advogados, parentes a aguardavam. O irmão de Monique vestia uma camisa com os dizeres “sou testemunha” e uma foto de Henry com a mãe. Na porta do presídio, os advogados perguntaram à diretora da unidade se a acusada poderia levar um gato que adotou no presídio, conforme pedido por Monique, o que foi autorizado.
No primeiro dia fora da prisão, Monique
evitou sair de casa e ficou na companhia de parentes. Segundo sua defesa, ela
passou a maior parte do tempo lendo. De acordo com nota publicada no blog do
colunista Ancelmo Gois, no Globo, a ré continua a receber salários como
servidora pública municipal.
Nos últimos meses, o salário líquido da professora foi de quase R$ 3 mil, já
que uma parte considerável do seu vencimento era descontada pelo fato de estar
presa. A prefeitura informou que, por lei, é necessário aguardar a decisão da
Justiça para concluir processo administrativo contra ela.
Mais provas
Os dois réus e seus advogados comemoraram o adiamento do julgamento na
segunda-feira. A decisão foi tomada pela juíza após a defesa de Dr. Jairinho,
que é ex-vereador, anunciar que deixaria o plenário. Nos dias anteriores, os
advogados já vinham apresentando recursos para transferir a data do júri.
Em nota, Rodrigo Faucz, um dos responsáveis pela defesa do padrasto de Henry,
disse que, até o novo julgamento, espera ter acesso a todos os documentos e
provas do processo. “O juízo terá tempo suficiente para disponibilizar,
principalmente, o conteúdo do notebook de Leniel Borel (pai de Henry)”, diz a
nota de Faucz.
Segundo o texto, “o acesso ao conteúdo do celular de Leniel revelou um
verdadeiro conluio entre a assistência (de acusação) e peritos do IML do Rio,
que confeccionaram os laudos complementares de necropsia do caso”.
Já o advogado Cristiano Medina da Rocha, que defende os interesses de Leniel Borel, disse que a questão alegada pela defesa de Jairinho foi analisada pelo Judiciário anteriormente. Acrescentou que também ingressou com um pedido, em segunda instância do TJRJ e no Supremo Tribunal Federal, pelo restabelecimento da prisão de Monique.
FONTE: FOLHA PE.