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A quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que 15% das adolescentes de 13 a 17 anos de idade deixaram de ir à escola ao menos um dia nos 12 meses anteriores à pesquisa por falta de absorvente. Os dados referentes ao ano de 2024 foram divulgados nesta quarta-feira (25).
A Pense entrevista alunos de escolas públicas e privadas, entre o 7º ano do ensino fundamental até o 3º do ensino médio, com uma amostra representativa do país. Ela reúne informações sobre fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes.
Realizada desde 2009 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação (MEC), acompanha temas como hábitos alimentares, atividade física, uso de substâncias, saúde mental, violência e ambiente escolar.
Na rede pública, 16,9% das meninas faltaram às aulas por essa razão. Na privada, isso caiu para 6,4%. "As disparidades regionais se mostraram significativas em relação a esse motivo de falta às aulas, visto que no Estado do Amazonas 27,9% das adolescentes deixaram de ir à aula alguma vez por falta de absorvente", diz o relatório da pesquisa.
Em 2022, o Congresso criou o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. Ele determina que estudantes dos ensinos fundamental e médio, mulheres em situação de vulnerabilidade e presidiárias recebam, de forma gratuita, absorventes para sua higiene pessoal. O presidente Jair Bolsonaro chegou a vetar a lei, mas teve essa decisão derrubada.
Ainda de acordo com o Pense, 84,3% das estudantes estavam em escolas onde esse item de higiene era ofertado. No entanto, segundo o relatório da pesquisa, "a oferta desse item de higiene nas escolas mostrou-se bastante desigual segundo as macrorregiões". No Norte, pouco mais da metade das estudantes estavam em escolas que ofertavam absorvente (56,2%). No estado de Roraima, por exemplo, são só 38,5%. Já no Sudeste isso chegava a 91,7%.
Sofrimento
A pesquisa do IBGE também revela que meninas sofrem mais do que os meninos
durante a adolescência. O levantamento com estudantes de 13 a 17 anos revela
que o dobro delas sente maior tristeza "na maioria das vezes" ou
"sempre", tem mais vontade de se machucar e acha que a vida não vale
se vivida. Além disso, há três vezes mais alunas cuja autoavaliação em saúde
mental foi negativa do que entre os alunos. Os dados referentes ao ano de 2024
foram divulgados nesta quarta-feira.
"É notável que foram as meninas a se sentirem mais tristes, mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ninguém se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida. Apenas quanto ao número de amigos é que as meninas ficaram em posição superior aos meninos, quando eles relataram mais frequentemente que elas não terem amigos próximos", diz o relatório da Pense.
FONTE: FOLHA PE.