Publicada em 25/03/2026 às 12h20.
Brasil x França: dois terços dos atletas convocados por Deschamps têm dupla nacionalidade
Craque do time francês, Kylian Mbappé é filho de mãe argelina e pai camaronês.

Foto: Divulgação.  


 A seleção brasileira encara a França nesta quinta-feira, em Boston, nos Estados Unidos, em um amistoso de preparação para a Copa do Mundo de 2026. Com o elenco recheado de craques, o time francês tem um detalhe que chama a atenção: dos 26 convocados por Didier Deschamps, quase 2/3 dos atletas — 16 no total — possuem dupla nacionalidade africana — ou até tripla.


Brice Samba (Congo), Pierre Kalulu (Congo), Ibrahima Konaté (Mali), Dayot Upamecano (Guiné-Bissau), Eduardo Camavinga (Angola/Congo), N'Golo Kanté (Mali), Manu Koné (Costa do Marfim), Aurélien Tchouaméni (Camarões), Maghnes Akliouche (Argélia), Rayan Cherki (Argélia), Ousmane Dembélé (Mauritânia), Hugo Ekitike (Camarões), Désiré Doué (Costa do Marfim), Randal Kolo Muani (Congo), Kylian Mbappé (Camarões/Argélia) e Michael Olise (Nigéria/Argélia/Inglaterra) são os jogadores franceses com nacionalidades africanas.


O zagueiro William Saliba também possui dupla nacionalidade africana, mas o defensor foi cortado após apresentar dores recorrentes no tornozelo esquerdo. Para substituí-lo, a comissão técnica convocou Maxence Lacroix, de 25 anos, do Crystal Palace.


Apesar do alto número atual de jogadores com dupla nacionalidade africana, não é de hoje que esse movimento ocorre no país. Isso é fruto do que aconteceu ainda no final do século XIX e início do século XX, com a invasão e colonização da França em inúmeros territórios africanos. Segundo especialistas, isso se tornou um reflexo da globalização do futebol.


— O futebol está cada vez mais global e conectado, e o fluxo de talentos africanos para a Europa é um dos maiores exemplos disso. O Brasil ainda participa pouco desse movimento, mas isso tende a mudar à medida que clubes e executivos ampliam seu olhar para novos mercados — analisa Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento de negócios no futebol que acontecerá entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza.


Em 1998, ano do primeiro título mundial da França, o craque Zinedine Zidane tinha descendência argelina. Já no bicampeonato, em 2018, o então jovem Kylian Mbappé, que viria a ser protagonista também no vice-campeonato em 2022, é filho de mãe argelina e pai camaronês.


Nas duas últimas Copas do Mundo, a influência de jogadores com origem africana na França foi enorme: em 2018, dois atletas eram literalmente nascidos na África, casos de Mandanda (Congo) e Umtiti (Camarões), enquanto outros 12 tinham dupla nacionalidade: Rami (Marrocos), Kimpembe e Nzonzi (Congo), Sidibé, Dembélé e Kanté (Mali), Matuidi (Angola), Pogba (Guiné), Mbappé (Camarões e Argélia), Fekir (Argélia), Mendy (Senegal) e Tolisso (Togo).


Já em 2022, ano do vice-campeonato para a Argentina, dos 21 franceses de nascença, 16 tinham dupla nacionalidade, sendo 11 de origem africana: Axel Disasi (Congo), Koundé (Benim), Saliba (Camarões), Upamecano (Guiné-Bissau), Konaté (Mali), Guendouzi (Marrocos), Tchouaméni (Camarões), Fofana (Costa do Marfim), Mbappé (Camarões e Argélia), Dembélé (Mauritânia) e Muani (Congo).



FONTE: FOLHA PE.




              

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