
Foto: Divulgação.
A estrutura de proteção a
mulheres em situação de risco é “inexistente ou insuficiente” em todos os 184
municípios de Pernambuco e no distrito de Fernando de Noronha, segundo
levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) divulgado nesta
quinta-feira (26).
Além disso, 98% dos
municípios pernambucanos não têm planejamento de políticas voltadas à mulher,
enquanto 85% não possuem orçamento específico para o combate ao feminicídio no
Plano Plurianual.
Em 43% das cidades não há
patrulhamento especializado, como a Patrulha Maria da Penha.
Entre os principais
problemas identificados pelo TCE, estão a ausência de protocolos de atendimento
e encaminhamento das vítimas, e a falta de articulação entre os órgãos
responsáveis pela prevenção e enfrentamento da violência de gênero.
A média diária de casos de
violência doméstica e familiar chegou a 137,3 nos dois primeiros meses de 2026,
segundo dados da Secretaria de Defesa Social. Em comparação com o mesmo período
de 2025, houve um aumento de mais de 21% nas mortes violentas intencionais
contra mulheres.
Outros dados
A pasta aponta, ainda,
outros dados obtidos pelo TCE. Entre eles, o de que 97,8% dos municípios não
possuem planejamento da política para as mulheres, além de que 93% dos
municípios não têm Câmara Técnica de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher.
Sobre a disposição dos
serviços de Patrulha Maria da Penha (Estadual ou Municipal), 43% dos municípios
afirmaram não ter.
Outro ponto destacado pelo
TCE é de que 85,4% das prefeituras não disponibilizam um canal de denúncia
específico para casos de violência contra mulher (VCM). A mesma quantidade de
gestões municipais não possuem orçamento especifico no Plano Plurianual (PPA
2022-2025) para o enfrentamento à VCM.
Além disso, o TCE constatou
que 99% das cidades do estado não possuem protocolo formal de atendimento para
as mulheres vitimadas pela violência.
Por fim, o órgão
contabilizou que 96,2% dos municípios não possuem fluxo de articulação e
encaminhamento para rede de proteção, enquanto 74,6% não possuem Centros de
Referência/Especializados de Atendimento à Mulher.
Diretoria de Articulação
Social e Direitos Humanos fortalece ações de prevenção e proteção às mulheres
em Pernambuco
Sobre o levantamento
De acordo com o TCE-PE, as
informações que constam no Levantamento das Políticas Municipais de
Enfrentamento à Violência contra a Mulher foram fornecidas pelas prefeituras em
2025, por meio de formulário eletrônico, e organizadas em três eixos:
governança e articulação, planejamento e orçamento, e ações e rede de
atendimento.
O órgão destaca que o
objetivo é mapear a estrutura e o funcionamento da rede de enfrentamento à
violência contra a mulher nos municípios, reafirmando a importância de uma
atuação intersetorial.
“Os dados desse levantamento acendem um alerta importante. Eles mostram que ainda há lacunas significativas na estrutura de proteção às mulheres em Pernambuco. Ao mesmo tempo, esse trabalho não tem apenas caráter diagnóstico. Ele é, sobretudo, um instrumento de indução de políticas públicas. O Tribunal de Contas quer contribuir para que os gestores compreendam a dimensão do problema e avancem na construção de respostas mais estruturadas, com planejamento, orçamento e integração entre os órgãos”, afirmou o presidente Carlos Neves.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.