
Foto: Divulgação.
Um dos alvos de uma operação
contra fraude em concurso público do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE),
em 2025, o diretor de um hospital público estadual foi exonerado pelo estado.
Conforme informações da
Polícia Civil, Allain Carvalho, diretor do Hospital Regional Inácio de Sá, em
Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, estaria envolvido num esquema descoberto
pela Operação Crivo, deflagrada na quarta (25).
A exoneração foi confirmada nesta
quinta (26), por meio de nota divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde
(SES-PE):
“A Secretaria Estadual de
Saúde de Pernambuco (SES-PE) informa que tomou conhecimento da operação
deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e que todas as medidas
administrativas cabíveis foram adotadas de forma imediata, resultando na
exoneração do diretor citado na operação. A SES-PE reforça que atua com base
nos princípios da legalidade, da transparência e da responsabilidade na gestão
pública, colaborando integralmente com as autoridades competentes.”
A operação
A ação cumpriu 15 mandados
de busca e apreensão, com o emprego de mais de 100 policiais civis em
municípios de Pernambuco e no Rio Grande do Norte.
Segundo o delegado, o caso
teve início a partir da prisão em flagrante de um candidato que tentava fazer a
prova no lugar de outra pessoa, utilizando o chamado método de “clone”.
“Esse esquema envolvia a
utilização de sósias, clones ou pessoas que se faziam passar por outra para
fazer a prova. Esse foi o elemento inicial que nos levou a iniciar as
investigações”, explicou o delegado responsável pela operação.
A partir desse flagrante, a
Polícia Civil identificou indícios de uma estrutura criminosa organizada, com
divisão de tarefas e atuação coordenada.
“Passamos a levantar outras
notícias de que haveria autores por trás desse esquema criminoso. Conseguimos
identificar tanto clientes quanto pessoas que participavam ativamente da
organização, seja transportando equipamentos, seja captando novos interessados”,
afirmou.
Durante o cumprimento dos
mandados, foram apreendidos materiais que devem reforçar as provas do esquema.
“Conseguimos prova do
concurso, mídias digitais, celulares, enfim, materiais que podem nos subsidiar
em termos de materialidade delitiva. A partir disso, vamos realizar uma análise
detalhada”, destacou.
As investigações apontam que
o grupo utilizava diferentes estratégias para fraudar o concurso, com destaque
para a substituição de candidatos, os chamados “clones”, além do uso de
equipamentos eletrônicos e dispositivos disfarçados para comunicação durante a
prova.
Valores envolvidos
Segundo a Polícia Civil,
havia uma entrada inicial de cerca de R$ 5 mil, e o valor total poderia chegar
a aproximadamente R$ 50 mil após a aprovação, a depender do cargo.
Em alguns casos, os
pagamentos não se limitavam a dinheiro em espécie, podendo incluir bens.
Conforme Paulo Vitor, há
indícios de que candidatos beneficiados tenham sido aprovados, embora a
confirmação dependa da análise do material apreendido.
“A princípio, conseguimos
identificar alguns clientes e também pessoas que são mais do que clientes,
participam de forma ativa na organização criminosa. Isso ainda depende da
evolução das investigações”, afirmou o delegado.
Entre os alvos também estão
servidores públicos de diferentes áreas, incluindo o diretor de um hospital no
sertão de Pernambuco, mas os detalhes ainda não foram divulgados.
“Há servidores de várias áreas, mas não podemos delinear agora para não prejudicar o sucesso das investigações”, disse.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.