
Foto: Divulgação.
Um dos condenados pela chamada
“chacina de Poção” voltou a ser sentenciado pela Justiça pernambucana.
Wellington Silvestre dos Santos, conhecido como “Chave de Cadeia”, foi
condenado, na quarta-feira (25), a 26 anos de prisão por homicídio triplamente
qualificado. Com a nova decisão, ele acumula mais de 100 anos de penas
aplicadas.
O julgamento mais recente
ocorreu no Tribunal do Júri de Serra Talhada, no Sertão do estado, e diz
respeito à morte de José Jonoel Rodrigues dos Santos, conhecido como “Noé”. O
crime aconteceu em 31 de maio de 2023, na zona rural do município, quando a
vítima foi assassinada a tiros dentro da própria casa.
De acordo com as
investigações, o homicídio teve como motivação uma disputa relacionada ao
tráfico de drogas na região. O Conselho de Sentença acatou a denúncia do
Ministério Público e reconheceu a responsabilidade do réu, condenando-o por
homicídio com três qualificadoras, sendo elas motivo torpe, uso de meio cruel
ou insidioso e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena deverá ser
cumprida inicialmente em regime fechado.
Segundo o coordenador do
Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ), Bruno Santa Catharina, a atuação integrada entre
os promotores foi decisiva para o desfecho do caso, especialmente por se tratar
de um crime com indícios de ligação com organizações criminosas no Sertão
pernambucano.
Histórico criminal e chacina
de Poção
Wellington Silvestre já havia
sido condenado, em 2024, a 74 anos e 8 meses de reclusão pela participação na
chacina de Poção, crime que ganhou repercussão no estado. A ação criminosa
ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, zona rural do município, a
cerca de 240 quilômetros do Recife.
Na ocasião, três conselheiros
tutelares, Carmem Lúcia da Silva, José Daniel Farias Monteiro e Lindenberg
Nóbrega de Vasconcelos, e a aposentada Ana Rita Venâncio foram mortos a tiros
dentro de um veículo. Uma criança de 3 anos, que também estava no carro, ficou
ferida e sobreviveu.
As vítimas retornavam da casa
da avó paterna da menina, em Arcoverde, quando foram surpreendidas pelos
atiradores. As investigações apontaram que o crime foi motivado por uma disputa
pela guarda da criança.
A polícia indiciou sete
pessoas. Entre elas, Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha, avó paterna da
criança, apontada como mandante do crime. Segundo a investigação, ela teria
articulado a execução com a ajuda de intermediários e contratado os autores dos
disparos.
Outras condenações
Ao longo dos últimos anos,
diversos envolvidos na chacina foram julgados e condenados. Bernadete de
Lourdes recebeu pena de 142 anos, cinco meses e 16 dias de prisão. Já José
Vicente Pereira Cardoso da Silva foi condenado a 67 anos, com redução pela
metade devido à idade.
Outros réus também foram
sentenciados. Egon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira
receberam penas de 101 anos e 4 meses cada, enquanto Ednaldo Afonso da Silva
foi condenado a 12 anos e seis meses por homicídio simples, sendo absolvido das
demais acusações.
As investigações apontaram ainda a participação de outros envolvidos na logística do crime, incluindo suporte na fuga dos executores. Um dos autores já estava preso à época, e Wellington foi localizado mais de um ano após o crime, no Maranhão.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.