
Foto: Divulgação.
Pernambuco
tem atualmente cerca de 235 mil pessoas vivendo em áreas classificadas como de
alto e muito alto risco (R3 e R4) para enchentes, desmoronamentos e quedas de
barreiras, distribuídas em 925 pontos já mapeados em todo o estado.
Os
dados, do Serviço Geológico do Brasil, foram apresentados na manhã desta
quarta-feira (15), pela Defesa Civil estadual durante a Reunião de Integração
Institucional para a Operação Inverno 2026.
Conforme
o órgão, os números evidenciam o nível de vulnerabilidade diante da quadra
chuvosa, especialmente na Região Metropolitana do Recife, onde se concentram
encostas ocupadas e áreas próximas a rios.
Novidade
Diante
desse cenário, o Estado aposta em três frentes principais para reduzir os
impactos das chuvas em 2026: o envio de alertas antecipados à população, a
execução de obras estruturantes e o reforço das forças de resposta.
Uma
das principais novidades é o uso do sistema Defesa Civil Alerta, que permite o
envio de mensagens emergenciais diretamente para celulares em áreas de risco,
sem necessidade de cadastro prévio, nos casos mais graves.
A
ferramenta é operada pelo Governo de Pernambuco, em parceria com o governo
federal, e utiliza dados do monitoramento meteorológico e hidrológico para
antecipar situações de perigo.
Segundo
o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil do estado, coronel Clóvis
Ramalho, o objetivo é garantir que a população tenha tempo para agir.
“Com
base nesse acompanhamento, a gente pode emitir alertas antecipados para que as
pessoas busquem medidas de autoproteção em locais seguros”, afirmou.
Além
do sistema automático, continuam sendo enviados alertas por SMS e WhatsApp para
moradores cadastrados, que podem se inscrever enviando o CEP para o número
40199.
A
expectativa é que municípios como Recife, Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca
passem a operar a ferramenta diretamente, ampliando a rapidez da comunicação.
O
mapeamento das áreas de risco, ampliado desde 2023 em mais de 30 municípios,
também é apontado como um avanço.
As
informações são utilizadas para orientar planos de contingência, controle
urbano e a execução de intervenções em áreas vulneráveis.
Entre
as principais ações estruturantes citadas estão obras de contenção de encostas
em municípios como Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Igarassu e Paudalho, além
da limpeza e desassoreamento de rios, como no bairro de Peixinhos, em Olinda.
Na
Mata Sul, o sistema de barragens segue em expansão, com a barragem de Panelas
já concluída e outras, como a de Gatos, em construção.
Mesmo
com os investimentos, o cenário segue exigindo atenção. Segundo o coronel
Ramalho, as duas mortes recentes, no bairro de Águas Compridas, em Olinda,
podem estar associadas aos efeitos do clima.
Em
2025, o Estado contabilizou mais de 18 óbitos por eventos climáticos.
Reforço
O
Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) também prometeu reforçar a
estrutura para a Operação Inverno 2026.
Ao
todo, 88 militares integram forças-tarefas especializadas, distribuídas em
quatro regiões do Estado, com atuação voltada para situações como
deslizamentos, desabamentos e inundações.
De
acordo com o subcomandante-geral, coronel Valfrido Curvelo, os profissionais
passam por treinamento contínuo ao longo do ano.
“A
cada ano a gente se prepara mais, tanto com equipamentos quanto com capacitação,
para atuar com mais segurança”, afirmou.
Outra
medida adotada foi a implantação de uma sala de gerenciamento estratégico, com
monitoramento em tempo real, uso de drones e painéis digitais, que auxiliam na
tomada de decisões durante as ocorrências.
O
acionamento das equipes segue um sistema escalonado, de acordo com a gravidade.
Municípios
Nos
municípios, conforme informações repassadas na reunião desta quarta-feira, as
ações também estão sendo voltadas para a prevenção.
Em
Chã Grande, na Zona da Mata Sul, equipes da Defesa Civil realizam monitoramento
das áreas de risco, com colocação de lonas em encostas e atuação integrada com
outras secretarias.
Em
Bezerros, no Agreste, o foco está na conscientização da população sobre o
descarte correto de lixo, considerado um dos principais fatores que agravam os
alagamentos.
Áreas
como o entorno do canal do Salgado e as margens do rio Ipojuca estão entre as
mais críticas.
Já
em Olinda, onde há 243 áreas classificadas como de risco muito alto e cerca de
220 áreas de alagamento, a prefeitura estaria com plantão de 24 horas e
atualizado o plano de redução de riscos.
De
acordo com Carlos D'Albuquerque, secretário executivo de Defesa Civil de
Olinda, no último fim de semana, foram registrados dez deslizamentos e quedas
de árvores, sem vítimas, mas com imóveis interditados, alguns com necessidade
de demolição.
Quadra
chuvosa
A
previsão para a quadra chuvosa é entre abril e julho, e indica chuvas dentro ou
abaixo da média, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC).
Ainda
assim, há possibilidade de eventos intensos concentrados em poucos dias.
“Podemos
ter chuvas fortes em um ou dois dias que acumulam o volume esperado para o mês
inteiro”, explicou a diretora presidente da APAC, Suzana Montenegro.
Segundo
ela, a previsão é atualizada duas vezes por dia, com maior precisão no curto
prazo.
O
encontro reuniu representantes das esferas federal, estadual e municipal e
marcou a etapa final de preparação para a quadra chuvosa.
Segundo
a Defesa Civil, a integração entre os órgãos é essencial para garantir uma
resposta mais rápida e eficiente em situações de emergência.
Orientação
De
acordo com o coronel Ramalho, a Defesa Civil do estado orienta a população
evitar áreas de risco e ficar atenta a sinais de deslizamento, como rachaduras
em paredes, inclinação de árvores e portas travando.
Em
caso de alagamentos, a recomendação é não atravessar áreas inundadas, devido ao
risco de choques elétricos e obstáculos submersos.
Em situações de emergência, os contatos são:
193,
do Corpo de Bombeiros e
199, da Defesa Civil.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.