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Preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14), o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, fez uma doação no valor de R$ 1 milhão para o diretório estadual de Minas Gerais do partido Novo em 2022.
A doação aparece na prestação de contas anual da sigla disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e voltou a ser compartilhada por perfis de aliados bolsonaristas depois do ex-governador Romeu Zema (Novo) afirmar que os áudios enviados por Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro seriam "um tapa na cara".
A doação é datada do dia 4 de agosto de 2022,
na véspera do início da campanha eleitoral, que teve em Minas Romeu Zema como
candidato à reeleição para o comando do estado. O valor foi descrito como oriundo
de uma "transferência eletrônica" de R$ 1 milhão e destinada para a
"manutenção do partido".
No mesmo ano, a sigla conseguiu arrecadar R$ 28 milhões em cerca de 20 doações de outros empresários e agentes políticos. Procurado pelo GLOBO, o Novo não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue em aberto.
Em nota ao GLOBO, ex-governador disse que o valor foi destinado para a sigla, mas afirmou que "nenhum centavo" entrou em sua campanha. "A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro, a PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024", disse no comunicado. "A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente, está registrada na Justiça Eleitoral", também disse o ex-mandatário, acrescentando que "não tem rabo preso" e dizendo que é "o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis".
Conhecido no meio empresarial de Minas Gerais por atuar há décadas nos setores de infraestrutura, engenharia e construção pesada, Henrique Vorcaro foi preso hoje ao ser acusado de integrar "A Turma", uma espécie de milícia privada e estrutura de coerção montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que foram presos em outra fase da operação eram parte do grupo.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro usou a conta do pai, Henrique, para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do Master, em atuação conjunta à empresa CBSF DTVM, a ex-Reag. A Reag é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A empresa tem negado irregularidades.
FONTE: FOLHA PE.