Publicada em 14/05/2026 às 11h54.
Hantavírus: passeio para observar aves pode ter levado casal ao local de origem da infecção
Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou 11 casos da doença associados ao surto registrado entre passageiros do cruzeiro MV Hondius.

Foto: Divulgação.    


 O sequenciamento genético do hantavírus revelou que a cidade argentina de San Martín de Los Andes, na Patagônia, é o provável local do primeiro contágio da doença. A descoberta foi feita a partir da comparação do material genético coletado de seis pessoas infectadas com bancos internacionais de dados sobre o vírus.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou 11 casos de hantavírus associados ao surto registrado entre passageiros do navio de expedição MV Hondius, distribuídos por sete países. Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da infecção.


Segundo o médico geneticista e diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), Salmo Raskin, as análises — realizadas pelo Centro Nacional Suíço de Referência para Infecções Virais Emergentes, Hospitais Universitários de Genebra e Instituto de Virologia Médica da Universidade de Zurique — indicaram o ponto zero do surto.


A principal novidade veio da comparação genética com casos antigos registrados na Argentina. De acordo com o pesquisador, as amostras atuais coincidem com o chamado “clado 3” do hantavírus andino, identificado anteriormente em dois homens infectados em agosto de 2018 em San Martín de Los Andes.


— Agora conseguimos concluir que o vírus é super parecido com o clado 3 encontrado em San Martín de Los Andes. Isso dá uma pista muito forte sobre onde provavelmente aconteceu a infecção inicial — explica Salmo Raskin.


O casal de holandeses, que foram as primeiras pessoas a manifestar sintomas, teriam estado na cidade argentina.


— A principal hipótese é que os holandeses, que eram ornitólogos (pessoas que estudam os pássaros), foram fotografar, estudar pássaros nessa cidade na Patagônia e lá entraram em contato com secreções, urina, fezes, ou saliva desse rato específico. Se contaminaram, não sabiam, entraram no cruzeiro e dias depois o homem começou a ter sintomas, depois a mulher, e nesse período infectaram algumas pessoas.


As análises também mostraram que os seis pacientes apresentam sequências genéticas “igualzinhas”, reforçando a hipótese de transmissão em cadeia entre os passageiros. O estudo também confirma que o vírus pertence ao hantavírus andino, um dos poucos tipos conhecidos capazes de transmissão entre humanos.


— O sequenciamento mostrou que essas seis pessoas têm o mesmo RNA viral, o que comprova que houve transmissão de uma pessoa para outra — afirma o médico geneticista.


Vírus é diferente do associado à festa em 2018


Até então, especialistas comparavam o episódio do navio ao surto de hantavírus ocorrido em Epuyén, no sul da Argentina, em 2018, quando uma festa de aniversário terminou com 34 infectados e 11 mortos, que ajudou a comprovar, pela primeira vez, a transmissão do vírus de humano para humano.


No entanto, o novo sequenciamento revelou uma diferença importante: o vírus atual não pertence ao mesmo subtipo do evento.


— O vírus da festa era do clado 2. Esse agora é do clado 3. Eles são muito parecidos, mas não iguais — diz Raskin.


Segundo ele, ainda não é possível saber se essas diferenças genéticas podem influenciar na gravidade da doença ou a sua capacidade de transmissão.


— Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Ainda temos pouquíssima informação sobre o clado 3 — afirma.


Até o momento, há registros genéticos detalhados de apenas dois pacientes infectados por esse subtipo, ambos em San Martín de Los Andes.


Vírus sofre poucas mutações


Ao contrário do coronavírus, o hantavírus apresenta baixa taxa de mutação, segundo o médico geneticista. As sequências atuais são muito semelhantes às detectadas em casos registrados há anos na Argentina.


— Isso mostra que o vírus muda muito pouco. É praticamente igual ao identificado em episódios anteriores — conta Salmo.


Mesmo assim, ele ressalta que fatores além da genética influenciam o comportamento da doença, como ambiente fechado, quantidade de vírus à qual a pessoa foi exposta e a resposta imunológica individual.



FONTE: FOLHA PE.




            

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