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A
Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou, nesta terça-feira (16),
uma pena de quatro anos e dois meses de reclusão em regime inicial semiaberto
ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Além da prisão, foi fixado o
pagamento de 50 dias-multa, com cada dia-multa estabelecido em dois salários
mínimos (R$ 3.036).
Como
efeitos imediatos da sentença, Eduardo teve decretada a perda de seu cargo
público concursado como escrivão da Polícia Federal (PF) e foi declarado
inelegível por oito anos após o cumprimento da pena, com base na Lei da Ficha
Limpa.
A
condenação do ex-parlamentar se baseou em uma denúncia da Procuradoria-Geral da
República (PGR), que o acusou de tentar interferir nas investigações sobre
tentativa de golpe de Estado para proteger seu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) — condenado a 27 anos e 3 meses de prisão neste caso.
Segundo
as investigações, o filho do ex-mandatário atuou junto a autoridades dos
Estados Unidos, incluindo o próprio presidente Donald Trump, para pressionar
ministros da Corte brasileira.
As ações de coação foram fundamentadas em provas de vídeo e áudio que demonstraram tentativas claras de intimidação. Entre as condutas identificadas, destacam-se as sanções econômicas, caracterizadas pelo incentivo a um "tarifaço" contra as exportações brasileiras, e pela aplicação de sanções baseadas na Lei Magnitsky, bem como as retaliações diplomáticas, que envolveram a articulação para a suspensão de vistos de 8 dos 11 ministros do STF.
Diante
desse cenário, configurou-se uma situação de continuidade delitiva, na qual o
ministro relator, Alexandre de Moraes, identificou ao menos nove momentos
distintos em que o crime de coação foi executado, fator que justificou a
elevação da pena final aplicada.
Moraes
ressaltou que tais condutas não estão protegidas pela imunidade parlamentar,
afirmando que “não é função de deputado brasileiro fazer lobby no exterior
contra o próprio país”.
Posicionamento do condenado
Em
nota oficial, Eduardo Bolsonaro classificou o julgamento como "sem pé nem
cabeça", e afirmou que qualquer sentença proferida contra ele é
"nula" por desrespeito ao devido processo legal. O ex-deputado alega
que não foi notificado oficialmente sobre o processo por meio de carta
rogatória, instrumento que considera necessário pelo fato de residir atualmente
nos Estados Unidos.
Para
estruturar sua defesa, Eduardo utilizou uma série de argumentos, a começar pela
alegação de falta de citação, declarando que toma conhecimento dos fatos apenas
pela imprensa, e que seu endereço nos EUA é "certo e sabido", tendo
sido, inclusive, filmado por repórteres brasileiros.
Além
disso, teceu duras críticas ao Judiciário ao afirmar que o ministro Alexandre
de Moraes atua como "vítima e juiz do mesmo caso", e sustentou que
existe uma motivação política por trás do processo, cujo objetivo real seria
"tirar meu nome das eleições".
O ex-parlamentar expressou confiança na "restauração da democracia" por meio da vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições presidenciais deste ano, o que, segundo a sua visão, permitiria o retorno de exilados ao Brasil.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.