Publicada em 02/07/2026 às 11h25.
Pastor Márcio Poncio é preso em operação contra "Máfia do Cigarro" no RJ
Márcio Poncio é pastor e empresário do ramo do tabaco. PF cumpriu mandados nesta quinta-feira (2).

Foto: Divulgação.


  A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne para apurar indícios de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio.


Na ação, os agentes cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho — ambos já presos — e o pastor Márcio Poncio, preso pela manhã no flat do Gran Hyatt, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.


Também é alvo da operação Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, contra quem a PF cumpre apenas mandado de busca e apreensão.


Quem são os alvos

 

Pastor Márcio Pôncio


Márcio Poncio é pastor e empresário do ramo do tabaco. Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ele costuma destacar nas redes sociais tanto sua atuação religiosa quanto seu papel como "patriarca da família Poncio" e membro da Igreja da Nuvem. Sua trajetória empresarial no setor de cigarros lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro".

 

Marco Antônio Cabral


Outro alvo é Marco Antônio Cabral, advogado, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esporte do Rio de Janeiro durante o governo de Luiz Fernando Pezão. Filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi filiado ao MDB por 18 anos, partido pelo qual iniciou sua trajetória política, e neste ano é pré-candidato para uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo partido da Sarah Poncio, o Solidariedade. Também ocupou cargo na assessoria da Presidência da Alerj, na gestão de Bacellar, onde atuou na interlocução com prefeitos e vereadores.

Esta não é a primeira vez que um filho do ex-governador Sérgio Cabral tem o nome associado a investigações envolvendo Adilsinho. Em 2023, José Eduardo Neves Cabral foi alvo da Operação Smoke Free, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sob suspeita de atuar como operador financeiro do contraventor em um esquema de comércio ilegal de cigarros e lavagem de dinheiro.


Em nota, Patrícia Proetti, advogada de Marco Antônio Cabral, diz que o ex-deputado federal nega "qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita".


Adilsinho


Já Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é um bicheiro conhecido das autoridades de segurança cariocas. Preso em fevereiro deste ano, o contraventor controla a fabricação e a venda de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio e, hoje, já expande seus negócios ilegais para outros estados.


Adilsinho, contraventor apontado como chefe da máfia do cigarro, é preso pela PF e Polícia Civil do Rio.


Sua prisão foi conduzida pela operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com atuação da Polícia Federal e da Polícia Civil. Ele foi capturado em uma residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após trabalho de inteligência.


Outras fases


As primeiras fases da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e março deste ano. Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se alvo da investigação sob suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun, que mirava o Comando Vermelho.


De acordo com a Polícia Federal, o principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a ofensiva.


Ainda em dezembro de 2025, a investigação avançou para a segunda fase e passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo os investigadores, o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as transmitiria a TH Joias. A PF afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que apontariam para uma relação próxima entre os dois.


A terceira fase da operação foi deflagrada em março deste ano. Rodrigo Bacellar voltou a ser preso, desta vez em sua residência, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito do caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, a investigação passou a ser tratada também no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, por envolver possíveis impactos sobre a atuação do Estado no combate ao crime organizado.


Em maio, a quarta fase da Operação Unha e Carne ampliou o foco das investigações e passou a apurar um suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo a corporação, as apurações apontaram indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras de reforma em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente selecionadas e manteriam vínculo com a organização criminosa investigada.



FONTE: FOLHA PE.




                

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