
Foto: Divulgação.
Servidores
do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) que atuavam nas
Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) do Cabo de Santo Agostinho e
de Paulista foram alvo da Operação Dupla Identidade, deflagrada pela Polícia
Civil para desarticular um esquema de fraude no primeiro emplacamento de
veículos zero quilômetro.
Os
detalhes da investigação foram repassados na manhã desta quarta-feira (29) pelo
delegado Júlio César, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção da Polícia
Civil de Pernambuco (1ª Deccor).
Ao
todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão
preventiva e medidas cautelares contra quatro investigados, que foram afastados
das funções e passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.
Segundo o delegado Júlio César, o foco da operação foi interromper a atuação dos servidores suspeitos. “O objetivo principal foi estancar esse esquema criminoso. Essas pessoas foram retiradas do serviço público e as investigações continuam para identificar outros envolvidos e beneficiários”, afirmou.

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Modus Operandi
De acordo com as
investigações, os servidores atuavam em dupla. Um era responsável pelo
atendimento inicial do primeiro emplacamento, enquanto o outro fazia a revisão
e validava o processo no sistema do Detran.
Para isso, eram utilizadas
notas fiscais falsas com dados de pessoas que, na maioria dos casos,
desconheciam a fraude e sequer haviam adquirido os veículos.
“A documentação era
materialmente falsa. Bastava conferir a chave de acesso da nota fiscal no sistema
da Secretaria da Fazenda para verificar que o CNPJ não correspondia à
fabricante ou à concessionária indicada”, explicou o delegado Júlio César.
Após a inserção do número do
chassi, o sistema gerava o registro do veículo como se o primeiro emplacamento
tivesse sido realizado regularmente.
A fraude só era descoberta
meses depois, quando o verdadeiro comprador tentava registrar o automóvel e era
informado de que aquele chassi já constava como emplacado em Pernambuco.
Segundo a Polícia Civil,
denúncias relacionadas ao esquema partiram dos estados de Acre, Alagoas, Minas
Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, além de Pernambuco. Pessoas
físicas e até prefeituras relataram ter adquirido veículos que já apareciam
registrados de forma irregular.
As investigações apontam
ainda que um dos servidores presos responde a pelo menos 18 procedimentos
envolvendo o mesmo tipo de fraude.
A análise patrimonial também
identificou incompatibilidade entre os rendimentos e os bens declarados.
Conforme a polícia, ele possui dois veículos avaliados em mais de R$ 240 mil.
Para os investigadores, o
falso primeiro emplacamento pode servir de base para diversos crimes, como
fraudes contra seguradoras, financiamentos irregulares e a legalização de
veículos roubados ou furtados.
O principal crime
investigado é o de inserção de dados falsos em sistema informatizado da
administração pública. Também são apurados os crimes de corrupção ativa,
corrupção passiva e a possível atuação de uma organização criminosa.
“As investigações vão
continuar para verificar o tamanho do esquema, outras pessoas que participaram,
como eles conseguiam os números dos chassis e quem era beneficiado com esse
primeiro emplacamento”, afirmou o delegado Júlio César.
A Polícia Civil busca ainda, identificar quem fornecia os números dos chassis utilizados nas fraudes, quem confeccionava as notas fiscais falsas e se há participação de integrantes de concessionárias, montadoras ou outros beneficiários do esquema.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.