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A Justiça de Pernambuco
impôs 14 medidas cautelares ao padre Airton Freire após conceder liberdade ao
religioso. A decisão, assinada pelo juiz da Vara Única da Comarca de Buíque,
estabelece restrições voltadas à proteção da vítima e das testemunhas no
processo em que o padre é acusado de estupro.
Entre as determinações,
Airton Freire está proibido de celebrar missas, conduzir cultos ou qualquer ato
religioso, conceder entrevistas, participar de eventos públicos, ministrar
cursos e utilizar ou administrar perfis em redes sociais. Ele também não pode
realizar transmissões ao vivo, podcasts ou qualquer outra forma de divulgação
pública de conteúdo.
A Justiça ainda proibiu o religioso de exercer funções de administração, direção, gestão ou representação na Fundação Terra, entidade da qual é fundador. Ele também não pode frequentar as sedes e unidades da instituição. Uma exceção foi estabelecida posteriormente para permitir que Airton Freire tenha acesso ao Hospital Mens Sana, ligado à Fundação Terra, exclusivamente para tratamento de saúde.
O padre também está proibido de manter contato com a vítima e as testemunhas, além de não poder frequentar a residência ou o local de trabalho da mulher. A restrição de contato, no entanto, não impede que a defesa técnica converse com testemunhas para produzir provas no processo.
Entre as demais obrigações, Airton Freire deve comparecer aos atos processuais quando intimado e manter o endereço residencial atualizado junto à Justiça.
O juiz informou que o descumprimento das medidas poderá levar à aplicação de restrições mais severas, à combinação com novas cautelares ou, em último caso, ao restabelecimento da prisão preventiva.
A defesa do padre pediu a revisão de quatro das medidas. Em decisão do dia 31 de julho, o magistrado manteve as restrições e fez apenas ressalvas relacionadas à atuação dos advogados junto às testemunhas e ao tratamento médico do religioso. Segundo o juiz, as demais medidas permanecem necessárias e adequadas diante das circunstâncias do processo.
Ex-funcionário também deixa de usar tornozeleira
A mesma decisão retirou a tornozeleira eletrônica de Landelino Rodrigues da Costa Filho, ex-funcionário da Fundação Terra e investigado no mesmo processo.
Segundo o magistrado, Landelino utilizava o equipamento desde abril de 2025 e não houve registro de descumprimento das condições impostas pela Justiça. Ele continua proibido de manter contato com a vítima e testemunhas e de frequentar a residência e o local de trabalho da mulher. Também deve comparecer aos atos processuais e manter o endereço atualizado.
Acusação
Airton Freire e Landelino são acusados de estuprar uma mulher em outubro de 2020, na Fazenda Malhada, em Buíque. O processo que resultou na liberdade do padre segue em tramitação.
Em outro processo por estupro, envolvendo uma personal stylist, Airton Freire foi absolvido em março deste ano. Na sentença, o juiz apontou uma “situação de incerteza” diante da existência de elementos conflitantes no processo.
A defesa do padre não quis comentar a decisão que manteve as medidas cautelares. Desde o início das acusações, Airton Freire afirma ser inocente.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.