
Foto: Divulgação.
As
buscas por sobreviventes nos escombros entraram no terceiro dia nesta
quarta-feira (12) após um forte terremoto na Colômbia deixar mais de 200
mortos, derrubar prédios, danificar estradas e esmagar carros.
A
devastação colocou à prova o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la
Espriella, seu governo, que se esforça para responder ao desastre natural, e a
sociedade civil, que se mobiliza para fornecer ajuda às comunidades vulneráveis
mais afetadas pelo terremoto.
Na
noite de terça-feira (11) as autoridades confirmaram que havia pelo menos 216
mortos, após o governo do departamento de Valle del Cauca e a Prefeitura de
Cali revisarem seus números para baixo.
De
la Espriella afirmou que pelo menos 195 pessoas continuavam desaparecidas, mas
bancos de dados civis apontavam para um número próximo de 4 mil.
Durante
a noite, as equipes continuaram vasculhando os escombros nas cidades mais
atingidas - Cali, Pereira, Manizales e Quibdó - enquanto o tempo se esgotava
para que vítimas fossem encontradas e resgatadas com vida.
As
agências de ajuda humanitária consideram as primeiras 48 a 72 horas cruciais
para o resgate de sobreviventes, embora esse período possa ser estendido caso
eles tenham acesso a alimentos e água.
Em
meio à devastação, houve cenas de alegria: equipes de resgate puxando um bebê
coberto de poeira por uma fenda em uma parede de concreto e espectadores
aplaudindo enquanto as equipes içavam uma mulher em uma maca.
Em
muitas áreas, a resposta oficial à devastação foi dificultada pelas crises
contínuas de pobreza extrema e pelo conflito armado que forçou o deslocamento
de pessoas durante décadas. "Este terremoto agrava uma situação
humanitária já grave, e há necessidade de maior apoio à resposta humanitária",
disse o diretor da Colômbia para o Conselho Norueguês para Refugiados, Giovanni
Rizzo.
Um
acordo de paz de 2016 entre rebeldes e o governo, juntamente com um conflito
armado em curso, pode permitir que organizações humanitárias distribuam
alimentos e outros materiais de emergência mais rapidamente, afirmou a
coordenadora residente da Organização das Nações Unidas (ONU) na Colômbia,
María José Torres.
Organizações
humanitárias já estão presentes em alguns centros afetados pelo conflito devido
ao processo de paz, incluindo o departamento de Chocó, epicentro do terremoto.
“Temos presença no terreno. Portanto, nossa capacidade de estar lá, presentes
com as pessoas, acredito que aumentou exponencialmente”, disse María José em um
comunicado na terça-feira.
Ao
mesmo tempo, a ajuda de outros países e organizações sem fins lucrativos no
exterior continuou chegando.
Nesta
quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou
que a União Europeia desbloqueou 2 milhões de euros para ajudar a Colômbia.
"Enquanto
as operações de busca e resgate continuam, a UE está apoiando a Colômbia de
todas as formas possíveis. Estamos disponibilizando 2 milhões de euros para
apoiar as comunidades das áreas mais afetadas", escreveu Von der Leyen em
uma publicação no X.
Na
segunda-feira (10) a UE já havia anunciado a mobilização de seu serviço de
satélite Copernicus para apoiar os trabalhos de resgate.
Os
Estados Unidos ofereceram mais de US$ 15 milhões em ajuda, e o México disse
estar preparado para enviar centenas de equipes de busca e profissionais de
saúde, toneladas de suprimentos médicos e outros equipamentos.
Na
terça-feira (11), o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, disse que o país
enviaria dois aviões carregados com 100 toneladas de ajuda humanitária nos
próximos dias. "Nossas orações estão com as famílias das vítimas, os
feridos e todo o povo colombiano", escreveu Bukele em uma publicação no X.
Inicialmente,
o Serviço Geológico Colombiano havia informado que o terremoto de segunda-feira
teve magnitude de 6,6, mas posteriormente o índice foi revisado para 7,4. O
Serviço Geológico dos EUA (USGS) também informou magnitude de 7,4.
O
órgão colombiano afirmou que o tremor ocorreu às 7h34 no horário local (9h34 em
Brasília) e foi sentido com mais intensidade no oeste do país, mas também foi
percebido em Quito, no Equador, e no Panamá.
O terremoto ocorreu a cerca de 100 quilômetros de profundidade, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste do país. Não foi emitido alerta de tsunami.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.