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A
desembargadora Adriana Pileggi de Soveral, da 3ª Turma do Tribunal Regional
Federal da 3ª Região (TRF3), autorizou três casas de apostas a voltar a
funcionar no Brasil. A decisão suspende, exclusivamente para a empresa, os
efeitos da extinção antecipada de sua outorga e o bloqueio de seus domínios
eletrônicos impostos pela Medida Provisória editada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
A
magistrada deferiu o pedido de antecipação de tutela recursal interposto pela
empresa CDA Gaming Ltda., assegurando a continuidade de suas operações de
apostas de quota fixa.
A
disputa teve início após a edição da MP nº 1.394, editada em 25 de setembro,
que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas
em todo o território nacional, determinando a extinção de todas as
autorizações.
A CDA Gaming Ltda., que diz ter investido R$ 30 milhões no negócio, impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar na 26ª Vara Cível Federal de São Paulo. A Justiça da primeira instância negou o pedido liminar, ponderando que a "proteção do interesse público e a salvaguarda da população contra os impactos negativos dos jogos deveriam prevalecer sobre a segurança jurídica pleiteada pela empresa'.
A
empresa recorreu ao TRF-3 e sustenta que a medida provisória "viola os
princípios constitucionais da segurança jurídica, da confiança legítima e da
proporcionalidade, uma vez que extinguiu abruptamente uma outorga onerosa por
prazo determinado sem qualquer previsão de ressarcimento do valor
investido".
"A
evocação do termo 'interesse público' não confere à Administração o poder
mágico de alterar subitamente o acertado com eventual contratado, correndo o
risco de descrédito total em relação aos contratos efetuados com a
Administração Pública", destacou a relatora na decisão.
Além disso, a desembargadora diz que a MP configura um "verdadeiro confisco", ferindo o princípio do bona fide (boa-fé) e o princípio da não-surpresa, pilares do Estado Democrático de Direito.
A
decisão liminar tem efeito até o julgamento de mérito do Mandado de Segurança
ou deliberação do colegiado da 3ª Turma do TRF3.
AGU
prepara recurso
A
Advocacia-Geral da União (AGU) prepara um recurso contra decisão do Tribunal
Regional Federal da 3ª Região (TRF3) que autorizou a retomada de três casas de
apostas online da empresa CDA Gaming Ltda. O recurso deve ser apresentado
diretamente ao presidente do TRF3, Luís Antonio Johonsom di Salvo, segundo
apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Em outubro, o desembargador já suspendeu uma liminar que permitia à plataforma de apostas Stake continuar operando no Brasil até 25 de outubro. A decisão atendeu a um pedido da AGU.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.