Não se sabe com exatidão onde teria nascido o disco de farinha de trigo coberto com algum molho e queijo, assado em forno. Versões apontam que três séculos a.c, os fenícios já colocavam sobre o pão tipo sírio, redondo e achatado, ingredientes como carne e cebola. Os turcos logo se apropriaram do modo de fazer e acrescentaram seus insumos habituais, como carneiro e iogurte.
O que se tem certeza, de fato, é que foram os italianos que aprimoraram a receita e a transformaram em um dos pratos mais populares e versáteis da humanidade. Em São Paulo, há um dia especial para ela, firmando a onipresença da massa e a paixão avassaladora que os paulistanos nutrem por ela. Nova York é outra metrópole que tem uma relação estreita com o prato: é o lugar que mais come pizzas em linha reta. Na Itália, nem comento.
Em toda ela, o disco de massa à base de farinha de trigo, coberto com molho de tomate e algum queijo é um dos pilares culinários do país, entretanto, foi em Nápoles, ao sul, onde virou estrela absoluta dos cardápios de massas. Os napoletanos investiram em farinha de melhor qualidade, na variedade de coberturas e agregaram o tomate em forma de molho, vindo da América no século XVI.
Foi na cidade que criou-se a clássica margherita, com muçarela, molho de tomate e manjericão, em 1889, em homenagem ao rei Umberto I e a rainha Margherita. É em Nápole também onde funciona a pizzaria mais antiga do mundo, a De Michelle, fundada em 1870, que vende apenas dois sabores.
Quem assistiu ao longa estrelado por Julia Roberts “Comer, Rezar, Amar”, deve lembrar da cena rapidinha em que ela sai da pizzaria. Daqui a dois dias se comemora o Dia da Pizza, um tipo de menção honrosa que muito feijão com arroz ainda não conquistou.
Rituais
Praticamente em qualquer casa dedicada ao preparo de pizzas, no Recife, o combo de temperos catchup e mostarda é figura comum nas mesas. Não se sabe o motivo do hábito, mas o que, para nós, é corriqueiro, para os paulistanos é praticamente uma heresia gastronômica. Lembro bem o dia em que, desavisada, pedi catchup ao garçom para pôr sobre minha fatia. Ele me olhou esquisito e disse que não havia esse tipo de molho no restaurante. Que se eu quisesse, o máximo que ele podia fazer era me dar azeite e pimenta do reino.
Recentemente, na Itália, já imaginava que pedir molhos cremosos para turbinar minhas fininhas não seria uma boa ideia, mas arrisquei um azeite e o garçom, em uma casa simples no centro de Roma, me deu uma bronca em tom de brincadeira. Meio a contragosto, trouxe a garrafinha para eu dar o meu toque pessoal ao disco de massa fina. E, sim, uma pizza de 35cm é vendida como porção individual e não é de bom tom, pelo menos por lá, sugerir dividir com alguém. Vivendo e aprendendo. E comendo pizza no próximo domingo (10). Desculpa não vai faltar!
Folha de PE