Publicada em 28/07/2016 às 10h50.
Mesmo com os avanços na medicina, o jovem é apenas um dos únicos três casos do mundo de pessoas que foram curadas do vírus.
FLORESTA - "Medo, medo, eu não tenho não, mas fico com as pernas tremendo quando um morcego chega perto de mim”, diz, com a voz fraca, o jovem Marciano Menezes da Silva, hoje com 23 anos. Morador do município de Floresta, no Sertão de Pernambuco, 437 km distante da capital do Estado, Recife, Marciano vai celebrar, em 18 de setembro, oito anos de um marco na medicina mundial. Quando tinha apenas 16 anos o rapaz se tornou o primeiro brasileiro a sobreviver à raiva humana, uma doença tida como 100% fatal. Mesmo com os avanços na medicina, o jovem é apenas um dos únicos três casos do mundo de pessoas que foram curadas do vírus.
O adolescente guerreiro, que surpreendeu até mesmo a equipe médica que o tratou no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, convive hoje com as sequelas de uma luta árdua pela vida. Pernas e braços atrofiados lhes impedem de ter a mesma vida de antes de ser mordido no tornozelo por um morcego hematófago enquanto dormia na casa de taipa onde morava à época. As dificuldades em falar também não lhe tiram a capacidade de expressar o quanto se sente feliz em ter sobrevivido à raiva.

O NE10 visitou o jovem em Floresta. Entre os vários sonhos, está o de possuir uma cadeira de rodas elétricaFoto: Elvis de Lima/especial para o NE10
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