Desde que o aplicativo Pokémon Go foi liberado para o Brasil, no fim da tarde da quarta-feira, os caçadores de monstrinhos invadiram ruas e praças da capital pernambucana. A maioria é formada por adolescentes, que, com smartphones nas mãos, buscam capturar personagens do desenho animado que fez sucesso nos anos 1990 e 2000. A nova mania, porém, inspira cuidados. Em menos de 24 horas, casos de assaltos, quedas e atropelamentos de jogadores já foram registrados no país.
Mesmo sem ocorrências relacionadas ao jogo no Recife, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) está atenta aos riscos que o Pokémon Go pode oferecer aos motoristas, ciclistas e pedestres da cidade. “Nossa preocupação é que o aplicativo detém a atenção dos usuários. Os condutores não podem, de forma alguma, usar o jogo enquanto dirigem. A mesma recomendação vale para os pedestres, principalmente durante a travessia, que é quando eles estão mais vulneráveis”, alertou o chefe de educação para o trânsito da CTTU, Francisco Irineu.
O Detran de Pernambuco prepara uma campanha para conscientizar usuários sobre os perigos de jogar no trânsito. “Pokémon Go não combina com direção. Esperamos que os motoristas tenham bom senso. Como ponto positivo, acreditamos que essa é uma oportunidade de as pessoas conhecerem melhor a cidade, caminhando pelas ruas e praças, mas lembrando das questões de segurança”, destacou o diretor da Escola Pública de Trânsito do Detran-PE, Ivson Correia, que lembrou ainda que usar o celular enquanto dirige é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 1.915 e sete pontos na CNH.
A ida de pessoas aos pontos turísticos e praças da cidade - onde está disponibilizada a maioria dos pokémons - já é um fenômeno no Recife. Como os monstrinhos são colocados mais próximos a locais muito frequentados e considerados seguros, usuários do jogo têm se deslocado pela Região Metropolitana do Recife para capturar mais pokémons. A estudante Larissa Sousa, 17, por exemplo, saiu de Jardim Paulista para caçar personagens no Marco Zero. “Em Paulista, eu consegui apenas 12. Depois de uma tarde no Marco Zero, cheguei a quase 90 pokémons”, comemorou, ao lado de outros seis amigos, que percorreram mais de 15 km para capturar pokémons.
“Pokearena”
A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no bairro da Boa Vista, foi outro local bastante procurado na tarde de ontem. O estacionamento próximo ao bloco A da instituição de ensino tem um “ginásio pokémon”, onde o jogador pode participar de batalhas.
A fisioterapeuta Thais Alexandre, 23, baixou o jogo quando ele foi disponibilizado e chegou ao nível 5, quando o jogador consegue duelar. Ela usou o “ginásio” da Unicap para testar as batalhas. “Eu assistia ao desenho na infância e estou gostando muito do jogo, mas procuro usar celular apenas em locais seguros, como aqui”, contou.
A Polícia Militar indica que os jogadores mantenham esse comportamento nas ruas. Não andar com o aparelho eletrônico à mostra em locais pouco movimentados; prestar atenção ao que acontece ao redor e cuidar dos pertences são algumas dicas.
Diario de Pernambuco