Publicada em 12/08/2016 às 10h06.
Samu está com viaturas quebradas e salários atrasados em cidades do Norte de AL
O débito, apenas com um dos fornecedores, já ultrapassa os R$ 600 mil.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoas está definhando. Das 54 ambulâncias da frota, 28 estão paradas e espalhadas entre as oficinas mecânicas e no estacionamento da sede, em Maceió.


Além do quadro de precariedade, há ainda o acúmulo de dívidas com oficinas que faziam a manutenção dos veículos. O débito, apenas com um dos fornecedores, já ultrapassa os R$ 600 mil.


Região Norte


No Norte do Estado, o quadro não é diferente: viaturas quebradas, salários atrasados e atividades suspensas nas bases descentralizadas. O Estado confirma que as ambulâncias estão danificadas e que serão consertadas, mas garante que o pagamento é de responsabilidade das prefeituras.


Os municípios, entretanto, alegam que o governo tem atrasado os repasses, gerando as pendências salariais. Em meio ao impasse, fica a população desassistida de um serviço essencial e que tem salvado inúmeras vidas em casos de urgência e emergência, 24 horas.


Em Maragogi, a viatura encontra-se quebrada, na garagem da base descentralizada, há mais de um mês. O veículo apresenta problemas no sistema de freios e na bateria elétrica. Os serviços de atendimento à população foram suspensos.


Uma parte dos 17 funcionários – entre socorristas, condutores, um auxiliar administrativo e uma zeladora – está com quatro meses de salários atrasados; a outra metade, com dois meses.


Em São Miguel dos Milagres, a ambulância quebrou há três meses e ainda não foi submetida a reparos. Os oito funcionários foram redistribuídos pelo município para os postos de saúde. Na base, ficam apenas as serviçais que cuidam da limpeza.


Em Barra de Santo Antônio, a ambulância também está quebrada há cerca de um mês. Segundo apurou a Sucursal Maragogi, os funcionários ficaram se receber os salários de dezembro de 2015 a março de 2016. Eles ainda não contam com os proventos referentes ao mês trabalhado de julho.


Pela mesma situação passam os servidores do Samu de São Luís do Quitunde. A secretária municipal de Saúde, Silvia Rejane, afirmou que o atraso é decorrente da demora do governo do Estado em repassar os recursos financeiros para custear os salários. Dessa forma, o município tem arcado com os pagamentos fazendo uso de dinheiro do próprio caixa.


“O último repasse que recebemos do governo do Estado foi em abril. Estávamos pagando os funcionários com recursos próprios, mas, este mês, por causa da queda do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), não foi possível pagar ainda o mês de julho”, afirmou.


O coordenador da base do Samu de Maragogi, Davi Marcos Tavares, também cita o atraso nos repasses do Estado. “O governo não repassou junho e julho”, disse, lembrando que a prefeitura aguarda os recursos para regularizar a situação e também tem buscado outras soluções. A reportagem não conseguiu estabelecer contato com a Secretaria de Saúde da Barra de Santo Antônio.


Samu


A assessoria de imprensa do Samu, em Maceió, informou que o pagamento dos salários é de responsabilidade das prefeituras, à exceção da capital e de Arapiraca, onde o serviço não é municipalizado. A assessoria confirmou, entretanto, que os veículos citados pela reportagem estão, de fato, “baixados” e que passarão por consertos para que voltem a circular, sem prazo estabelecido.


A assessoria observou, ainda, que mesmo com as ambulâncias quebradas, a população dos três municípios não tem ficado desassistida porque as bases do Samu de cidades vizinhas têm feito os atendimentos necessários, com o apoio do Samu Aéreo, quando preciso.

 

GW

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