Foi preciso tratamento 24h por dia para que Lipe e Lucarelli estivessem em condições de entrar em quadra na noite desta sexta-feira, no jogo entre Brasil e Rússia pelas semifinais, no Maracanãzinho. Os dois sentiram lesões no jogo das quartas de final contra a Argentina, dois dias antes, e só foram confirmados pouco antes do início da partida. No fim, o esforço foi recompensado. Com oito e dez pontos, respectivamente, os ponteiros foram fundamentais na vitória por 3 sets a 0, que garantiu a seleção em sua quarta final olímpica seguida no vôlei masculino. A decisão da medalha de ouro será contra a Itália, no domingo, às 13h15.
Ao longo da Olimpíada do Rio, os times do Campeonato Brasileiro tiveram um "refresco". A quantidade de partidas diminuiu - limitando-se, quase sempre, aos fins de semana. Isso ajudava em duas frentes: a física e a tática. Permitia mais tempo de descanso e de preparação. Com o iminente fim do evento, porém, a maratona de jogos voltará a acontecer. E o treinador do Sport,Oswaldo de Oliveira, vê sua equipe preparada para enfrentá-la.
Já o problema de Lucarelli é um pouco mais delicado e por não encerrou sua participação nos Jogos. Ele sofreu um edema na coxa direita no aquecimento contra a Argentina, chegou a iniciar a partida, mas saiu após um ataque e só voltou porque Lipe também sentiu. Diferentemente do companheiro de seleção, o mineiro de 24 anos sentiu dores durante a partida, mas conta que as superou no calor do jogo.
- Em dois dias é quase impossível melhorar essa dor na coxa. Os médicos e terapeutas fizeram “corujão”. Foi tratamento o tempo inteiro. Tudo o que a gente podia fazer a gente fez. Nesses últimos dias eu nem treinei. É até meio complicado jogar sem treinar, você fica um pouco fora de ritmo. Quando o exame apontou lesão, eu falei: “Só faltam dois jogos”. Eu não ia ficar de fora de jeito nenhum. Parado eu não sinto dor, mas quando eu abaixo, quando vou atacar, quando vou mudar direção, dói bastante. Ter entrando em quadra depois de ter pensado que não ia conseguir jogar foi muito emocionante. Na hora do jogo eu sinto dor, mas a vontade de jogar é tão grande que a gente nem pensa muito. Eu falei para os caras que meu braço tinha que estar bom hoje porque minha perna não ia me ajudar. Agora é voltar para a Vila e continuar tratando - disse.
O esforço dos jogadores foi exaltado pelo comandante Bernardinho:
- Havia dúvida até de tarde, se iam suportar ou não. Existem dois tipos de dor, nunca podemos colocar o jogador em risco. A questão era se seria possível suportá-la. A dor é temporária, o orgulho de tentar é para sempre. Lipe travou a coluna, mas já estava melhor. Se fosse um jogo mais longo, o problema poderia voltar. Graças a Deus encurtamos a partida e esperamos que os dois estejam aptos para a final. Ainda serão reavaliados. Depois de uma batalha intensa como essa, é preciso fazer isso - avaliou o treinador.
FONTE: GloboEsporte.com