Afirmar que tal Olimpíada será sempre lembrada é chover no molhado. Os Jogos Olímpicos, venha o que vier, sempre ficarão encrustados na pedra da história. E choviam desconfianças sobre a organização do Brasil para o evento. Era preciso ver para crer, mas a Rio-2016 não deixou nada a dever, reunindo momentos únicos, como os que lembramos nesta retrospectiva especial.

O cara
Usain Bolt
Assim como em Pequim-2008 e Londres-2012, só deu ele. O homem mais rápido da história ganhou mais três medalhas de ouro (possui nove no total), em todas as provas que disputou - 100m, 200m e revezamento 4x100m. Além disso, o raio jamaicano transborda simpatia, faz caras e bocas, posa para fotos, brinca em meio às provas e dispara frases de efeito a torto e a direito. Bolt é um fenômeno e ganha a torcida por onde passa.
A lenda
Michael Phelps
Só pela quantidade de medalhas que já conquistou em Olimpíadas, o nadador americano já é mais bem sucedido do que muitos países. Na Rio-2016, o fenômeno da natação mostrou porque é considerado a maior lenda desta modalidade: ganhou cinco medalhas de ouro e uma prata. Atleta mais vitorioso da história dos Jogos, Phelps deixou o Rio com a impressionante marca de 23 medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze.
O adeus
Serginho
Aos 40 anos, Serginho não poderia sonhar que se despediria das quadras de maneira tão grandiosa. O ‘Escadinha’ foi o coração da equipe que ganhou mais uma medalha de ouro no vôlei masculino e passou a contar com quatro medalhas - duas de ouro e duas de prata. Para completar, o veterano ainda foi eleito o melhor jogador da competição, encerrando uma vitoriosa trajetória de forma brilhante.
A polêmica
Vaias da torcida
Campeão olímpico e recordista mundial do salto com vara, Renaud Lavillenie foi eleito ‘vilão’ pelos brasileiros, na final da modalidade. Revoltado, o francês foi vaiado pelo público por ser rival de Thiago Braz e fez sinais de negativo para as arquibancadas. Depois, em uma infeliz analogia, se comparou ao americano Jesse Owens, negro e que disputou as Olimpíadas de 1936 em Berlim, no apogeu da Alemanha nazista.
A volta por cima
Rafaela Silva
Criada na Cidade de Deus, a judoca começou na modalidade graças ao Instituto Reação, o projeto social fundado pelo ex-judoca Flávio Canto. Desclassificada em Londres-2012 por um golpe ilegal, a brasileira sofreu com a ira de torcedores radicais e com o racismo. Na Rio-2016, ganhou a medalha de ouro e se tornou a primeira atleta da história do judô brasileiro a ser campeã olímpica e mundial. Que reviravolta!
A frustração
Novak Djokovic
O número 1 do mundo não escondia a felicidade por disputar uma Olimpíada no auge da carreira. Afirmou, reiteradas vezes, que queria ganhar um ouro para a Sérvia e jogar no Brasil, país que diz adorar. No entanto, Djoko foi derrotado logo na primeira rodada da chave de simples para o argentino Juan Martín Del Potro. Eliminado precocemente, o tenista se derramou em lágrimas, enquanto era reverenciado pela torcida.
A revelação
Isaquias Queiroz
Assim como Thiago Braz, Isaquias Queiroz também era um anônimo para os seus conterrâneos. Para piorar, competia em uma modalidade sem muito apelo e tradição em nosso país, a canoagem. Na Rio-2016, porém, o atleta passou de desconhecido a ídolo nacional em questão de dias. Foi o primeiro brasileiro a conseguir três medalhas em uma mesma Olimpíada e conquistou o público esbanjando carisma.
A lorota
Ryan Lochte
Michael Phelps não foi o único nadador americano que causou histeria na Rio-2016. Ryan Lochte também será lembrado por estas Olimpíadas. Só que pelo lado negativo. O afirmou que tinha sofrido um assalto à mão armada, quando, na verdade, havia saído com amigos e criaram confusão ao fazer arruaça em um posto de gasolina. O episódio acabou manchando a conquista de sua quinta medalha de ouro na carreira.
A façanha
Thiago Braz
Apesar de ser um dos maiores atletas do salto com vara, Thiago Braz era um ilustre desconhecido para boa parte dos brasileiros. Hoje, não mais. Na final, o saltador surpreendeu. Ousado, antes de tentar ultrapassar os 5,98m pediu para subir o sarrafo, desafiando o recordista Renaud Lavillenie. Na sua última chance, teria que saltar 6,03m, o que nunca havia conseguido. A audácia rendeu o primeiro ouro ao Brasil na modalidade.
A decepção
Vôlei feminino
Os prognósticos apontavam que o Brasil ganharia poucas medalhas de ouro. Uma delas, contudo, parecia certa: no vôlei feminino de quadra. A equipe treinada por José Roberto Guimarães havia vencido as últimas duas Olimpíadas e, na primeira fase, foi líder disparada, sem perder um set sequer. Nas quartas de final, contudo, sucumbiu diante da China, que acabaria ganhando a medalha de ouro e saiu sem medalhas.
A amarelada
Fabiana Murer
Se existe alguém que não nasceu para brilhar nas Olimpíadas é Fabiana Murer. A saltadora era uma das maiores esperanças de medalha de ouro. Vivia boa fase e não teria a multirrecordista russa Yelena Isinbayeva - suspensa - como rival. Contudo, em recuperação de uma hérnia, sequer foi às finais e completou sua sina de desastres. Em Londres-2012, culpou o vento pela má atuação e em Pequim-2008 uma de suas varas específicas sumiu.
A surpresa
Robson Conceição
Difícil encontrar algum atleta que melhor simbolize o ideal de jamais desistir do que Robson Conceição. O baiano perdeu as perdeu as dez primeiras lutas da carreira. Em Olimpíadas, seu currículo não era muito melhor. O boxeador foi eliminado de cara logo nos primeiros combates em Pequim-2008 e Londres-2012. Nestes Jogos, quanta diferença. O pugilista foi batendo um a um e ganhou o primeiro ouro olímpico do boxe brasileiro.
A frase
Simone Biles
A jovem ginasta ganhou os corações dos fãs da modalidade. Porém, atleta foi muito mais do que uma competidora de ponta. Ganhadora de quatro medalhas de ouro e uma de bronze, a americana foi comparada a outras lendas dos Jogos - curiosamente, todos homens. A resposta não poderia ser melhor: “Eu não sou a próxima Usain Bolt ou Michael Phelps, eu sou a primeira Simone Biles”, rebateu, com classe.
FolhadePE