O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), engrossou o coro dos tucanos que cobram celeridade e compromisso do governo Michel Temer com o ajuste fiscal. Após reunião com o presidente de seu partido, Aécio Neves (MG), na segunda-feira (5), Alckmin disse que o País não chegará “à terra prometida com torcida e voluntarismo”.
A fala ocorre dias depois de o agora presidente ter cobrado a fidelidade de aliados, ao mesmo tempo em que emitiu sinais de que pode deixar para enviar o projeto de reforma da Previdência ao Congresso só depois das eleições municipais.
Alckmin disse compreender o argumento de que, com as disputas locais acontecendo, o quorum tende a ser baixo na Câmara. “Já fui deputado”, disse o governador. Para ele entretanto, é válido enviar o mais rápido possível “para ir amadurecendo”. “Se deixar mais para o final do ano o que pode acontecer é não votar esse ano”, avaliou.
Ao lado de Aécio, Alckmin ainda pontuou que o tempo pode se tornar um inimigo do novo governo. “É preciso agir rapidamente na questão fiscal, monetária e cambial. Quanto mais demorar, vai perdendo a confiança e o quadro vai se agravando”, concluiu. A fala do governador vem no esteio de uma série de cobranças de figuras de seu partido por demonstrações claras de Temer de compromisso com reformas estruturantes e o ajuste fiscal.
Legitimar
Ainda ontem, Aécio chegou a dizer que “o que vai legitimar o governo Michel Temer não são os votos”. “Isso ele não teve e não terá. O que vai legitimar é a capacidade que ele vai demonstrar de liderar o Brasil, tirar o País do calabouço que as sucessivas gestões do PT o deixou”, disse o tucano. Ele afirmou ainda que as falas do PSDB não devem ser vistas como ataques. “Nós queremos é ser parceiros no êxito desse governo”, afirmou.