Um inquérito que chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no meio deste ano, investiga suspeitas de irregularidades na campanha de 2010 da ex-presidente Dilma Rousseff e do seu vice à época, o atual presidente, Michel Temer. Por determinação do ministro Gilmar Mendes, atual presidente da corte, o procedimento foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, onde está tramitando. O caso está relacionado a uma investigação iniciada em 2013 pela Polícia Civil do Mato Grosso.
“Cuida-se de inquérito policial encaminhado a esta Corte pelo Juízo da 12ª Zona Eleitoral de Campo Verde/MT, instaurado por requisição do Ministério Público Eleitoral daquela localidade para apuração de fatos e da autoria de possível prática de crime (...), supostamente cometido pelos responsáveis financeiros do PT, em razão de doações fraudulentas para a campanha presidencial nas eleições de 2010”, afirma Mendes, em seu despacho.
Essa é a primeira vez que se tem conhecimento de uma apuração que mira a campanha de 2010. Não existem elementos, porém, indicando que qualquer um dos dois tenha participado das supostas irregularidades. Há quatro ações em curso no TSE que pedem a cassação da chapa, mas todas abertas a partir de suspeitas relativas a 2014. Dilma e Temer são acusados de abuso de poder econômico e político, além da suspeita de que recursos desviados da Petrobras abasteceram a campanha.
Uma beneficiária do Bolsa Família, programa do governo federal, procurou a delegacia da cidade de Campo Verde para prestar queixa de que seu nome constava entre os doadores da campanha de Dilma, embora, segundo ela, jamais tivesse contribuído. De acordo com um investigador, ela foi informada de que, oficialmente, havia uma doação de cerca de R$ 500 feita em seu nome. O caso está sendo investigado pela Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Responsáveis
Na última terça-feira, o presidente do TSE enviou um ofício à PF informando que Temer e Dilma são os responsáveis pela prestação de contas da campanha de 2010.
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