Publicada em 16/09/2016 às 09h06.
Estudantes do Ciência Sem Fronteiras não conseguem validar disciplinas
Programa foi encerrado para graduandos e será reformulado para pós e estudantes do Ensino Médio.

Em 2014, Vinícius Almeida, aluno de Engenharia Civil da UFPE, não era fluente no inglês. No entanto, com boas notas na faculdade, conseguiu realizar um sonho: passou o ano estudando na Universidade of Bath, na Inglaterra, por meio do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), do Governo Federal. Ao retornar foi surpreendido com a informação da universidade de que não poderia validar as disciplinas que cursou da maneira que pretendia, como matérias obrigatórias.


Teve que atrasar o curso em um ano para quitar a grade prevista. Segundo o Ministério da Educação (MEC), centenas de estudantes que participaram do programa tiveram o mesmo problema. A questão, aliada ao custo, é apontada como a causa da extinção do CSF para graduação, em julho passado. “É um programa com um alto custo, sem avaliação e sem acompanhamento. Foi moldado de forma amadora”, disse o ministro da Educação, Mendonça Filho.


De acordo com o gestor da pasta federal, o custo médio anual de um bolsista de graduação no exterior é de R$ 105,7 mil, valor que equivale ao pagamento de um curso integral de quatro anos em instituições particulares no Brasil para três alunos, tendo como base os preços médios investidos pelo MEC no Programa Universidade para Todos (ProUni) ou no Programa de Financiamento Estudantil (Fies).


Em 2015, o Governo Federal destinou R$ 3,5 bilhões para manter o programa, com as bolsas para os alunos de graduação compreendendo 79% do aporte. O CSF também contempla bolsas para pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado, que serão mantidas). “Ele será reformulado. Estamos estudando alternativas para realocar recursos para ajudar o nível médio. Para ajudar o estudante de baixa renda, do Ensino Médio, de escola pública a fazer um intercâmbio no exterior”, ressaltou o ministro.


O Ciência Sem Fronteiras já levou 92.880 estudantes brasileiros para estudar fora do País, dos quais 3.598 são de Pernambuco. Ainda assim há ressalvas feitas pelos próprios estudantes. “Não tive nenhum acompanhamento nem da universidade nem dos órgãos financiadores. No fim do intercâmbio, dei entrada em alguns comprovantes e um relatório simples e superficial do que foi a experiência. Em nenhum momento vi uma avaliação intermediária, muito menos um feedback para a gente. Não tive nenhu­­­ma resposta deles. Não é justo dizer que é um programa ruim, mas é ineficiente nesses moldes”, conta Vinícius.


Das nove disciplinas que cursou fora, oito foram aproveitadas como eletivas e apenas uma como obrigatória. O professor Paulo Goes, da UFPE, afirma que não está previsto uma equivalência de matérias. “O acordo é que o coordenador aproveite o máximo de créditos, mas a proposta do programa não é ter aproveitamento de 100%. A ideia é vivenciar cultura e profissão em outro contexto.”


Folha PE

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI