Cerca de 500 mil pessoas percorreram a Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, neste domingo (18), reivindicando respeito às diferenças e políticas públicas inclusivas durante a 15º Parada da Diversidade. Pernambuco é o segundo Estado mais violento do País para a população LGBT e uma das principais bandeiras levantadas no evento foi a criminalização da homofobia no Brasil. Com o tema "Democracia Fora do Armário",a festividade teve a participação de DJs no Parque Dona Lindu, shows de artistas LGBT e atrações musicais distribuídas em 12 trios elétricos.
Apesar de alguns casos pontuais de confusões, o desfile, que começou às 9h, transcorreu sem grandes problemas. Cerca de 10 mil sachês de gel lubrificante e mais de 13 mil preservativos foram distribuídos aos participantes, além de panfletos com dicas sobre prevenção e a listagem de endereços dos centros municipais de testagem e aconselhamento.
A iniciativa é do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids), da Secretaria Estadual de Saúde (SES), em parceria com a ONG Aids Healfcare Foundation (AHF). A cada seis horas uma pessoa se infecta com HIV, em Pernambuco. São 1,5 mil novos casos por ano, de acordo com a SES.
Realizada pelo Fórum LGBT de Pernambuco desde 2002, a Parada da Diversidade deste ano chama a atenção também para o retrocesso que as políticas públicas LGBT sofreram em Pernambuco, segundo os coordenadores do evento.
"Pernambuco não tem essa lei que puna ou proíba a homofobia e a gente não tem a aprovação da PL 122, nacional", disse. "Não temos nem um decreto. A gente tem pontualmente algumas cidades, como Recife, Belém de São Francisco, Caruaru, mas a gente precisa fazer garantir essa democracia no estado", diz Rivânia Rodrigues, uma das coordenadoras do Fórum LGBT de Pernambuco. A organizadora também pede uma nova postura do atual governo federal . "Nós éramos uma população e agora somos uma minoria, segundo o governo Temer", diz.
O desfile também foi marcado pela solidariedade. O grupo de drag queens Maison Poison realizou uma edição especial do projeto Montadas Para o Bem, com o objetivo de arrecadar alimentos não perecíveis, roupas e agasalhos parar instituições de caridade e moradores de ruas.
No trio das transexuais e travestis, o objetivo foi homenagear essa população a partir de uma releitura do Cassino do Chacrinha, programa de televisão popular nos anos 80, época em que começaram a ganhar visibilidade, segundo a maquiadora trans Janaína Falcão, da Articulação e Movimento das Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans). O cassino é remontado com as transsexuais no lugar das dançarinas de palco.
Fernanda Bravo, travesti de Aracaju e integrante da Associação Amo Ser Trans, participou pela primeira vez da Parada pernambucana. A artista pede mais acesso ao mercado de trabalho. "Quando se fala na sigla LGBT o T fica praticamente invisível. Você vai nas lojas os gays e lésbicas estão empregados. As travestis estão na rua, não tem acesso a emprego. Fica meu apelo para que o comércio aceite as travestis para trabalharem".
Grupos religiosos também participam da festividade com cartazes trazendo mensagens sobre a importância do às diferenças. Integrantes da Igreja Batista do Jardim São Paulo distribuíram abraços “gratuitos” e exibiram um cartaz com a mensagem "Desculpa pela forma como a igreja trata vocês".
A Comunidade Cristã Nova Esperança distribuiu panfletos aos participantes. "Eu entendo que quando Jesus veio, passou uma única mensagem, que é o amor. Cada pessoa tem uma forma de acreditar e agir. Eu acho que devo incluir e abraçar essas pessoas independente do que for", diz Edmilson Júnior, estudante de psicologia de 21 anos e homossexual, um dos membros do grupo.
Muitos candidatos a vereador e prefeito do Recife comparecerem à Parada ou mandaram cabos eleitorais com bandeiras, panfletos e adesivos. Outros grupos carregavam cartazes pedindo a saída do presidente Michel Temer.
Jc Online