Publicada em 28/09/2016 às 16h13.
Cidade de Alagoas está sem prefeito há mais de uma semana
Vice não tomou posse após afastamento de Cristiano Matheus pela Justiça. Yolanda Gomes está de licença médica; Câmara tenta empossar presidente.

A cidade de Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió, está sem prefeito há mais de uma semana, desde o afastamento temporário do prefeito Cristiano Matheus (PMDB), no último dia 20, acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF).


A vice-prefeita Yolanda Gomes (PMDB) recebeu do presidente da Câmara de Vereadores, Abelardo Leopoldino, o ofício comunicando a decisão da juíza Izabelle Marne, da 2ª Vara da Justiça Federal, para que ela assuma o cargo em decorrência do afastamento do prefeito, mas ela não tomou posse. Sem gestor, o município não pode fazer nenhuma movimentação financeira.


Leopoldino informou que marcou duas vezes a sessão solene para a posse e, na segunda vez, recebeu um pedido do advogado de Yolanda para adiar a sessão. O advogado Luiz Lopes afirmou ao site que ela está em depressão e que entregou o atestado médico junto ao pedido de adiamento.


“A mãe dela faleceu na última quinta (22) e ela está muito triste. Está em estado de luto, acamada. Ela será reavaliada novamente após o término do atestado para saber se ela tem condições de voltar ao trabalho”, afirmou Lopes.

O segundo na linha de sucessão para o comando do Executivo é o presidente da Câmara, mas Leopoldino explica que o fato de a vice ainda não ter tomado posse o impede de fazê-lo. “Ela poderia ter assumido e depois se afastado. Se isso tivesse sido feito, eu poderia assumir em caráter interino. Mas desta forma, a cidade ficou sem prefeito”, relatou.


A reportagem tentou contato com a juíza federal que determinou a posse da vice-prefeita, mas foi informada de que a questão da sucessão em caso de licença não era com ela. Também tentamos contato com o juiz eleitoral de Marechal, Helio Pinheiro, mas assessores dele informaram que ele estava em reunião e não poderia dar entrevista.


Presidente da Câmara de Marechal diz que não pode assumir cargo (Foto: Carolina Sanches/G1)
Presidente da Câmara de Marechal diz que não pode assumir cargo antes da vice tomar posse
(Foto: Carolina Sanches/G1)

Para Leopoldino, a vice-prefeita está adiando a posse para não prejudicar a candidatura do irmão, Walter Avelino, que concorre a vice-prefeito na chapa da oposição.


O presidente da Câmara afirma que a chapa dele será invalidada se algum parente já estiver no comando do Executivo. “Se ela assumir a cadeira, isso vai prejudicar o irmão dela que é vice na outra chapa".

Sobre os rumores de que se Yolanda assumisse o cargo de prefeita, impediria o irmão de ser candidato a vice, o advogado dela disse que não há respaldo jurídico. “Ela vai assumir o cargo por determinação da Justiça, então não há impedimento para a candidatura do irmão dela. Ela vai assumir interinamente até que o novo prefeito seja empossado. Ela não assume porque não tem condições para isso. Mas assim que tiver e for liberada pelo médico, vai assumir”, afirma.


O presidente da Câmara negou o pedido de adiamento e informou que o caso está sendo analisado pelo setor jurídico do Legislativo Muncipal, que deve encaminhar um pedido à Justiça Eleitoral para autorizar a posse de Leopoldino no lugar de Yolanda.


“Se ela diz que está enferma, eu vou lá, dou posse e ela passa a ser a prefeita legítima. Depois disso eu dou a licença a ela e assumo, porque sou o primeiro da linha sucessória [depois da vice]. Mas se ela não assumiu, como eu posso tomar posse na cadeira?”, questiona.


O procurador do município, José Soares, afirma que as leis orgânicas de cada município devem trazer como será a sucessão do gestor nesses casos. "Como a de Marechal não traz expressamente quais os procedimentos, o município deve seguir a constituição estadual ou a federal. Nesse caso, quem deve proceder é a Câmara Municipal”, explicou.


site esteve na casa da vice-prefeita e a filha dela, Kely Alcântara, informou que a mãe estava dormindo e se recuperando de um quadro grave de depressão. “Minha mãe ficou muito abalada com a morte da minha avó. Desde o dia que minha avó morreu, ela não fala e quase não come. Não tem condições nenhuma de sair de casa e está sendo acompanhada por uma médica, que atestou isso”.


Procurador municipal de Marechal, José Soares. (Foto: Carolina Sanches/G1)
Procurador municipal de Marechal Deodoro, José Soares (Foto: Carolina Sanches/G1)

Pagamentos parados
Enquanto a posse não tem prazo para acontecer, a cidade vai continuar sem prefeito em exercício. Os servidores da prefeitura, efetivos, comissionados e contratados, dizem estar preocupados com o pagamento do salário do mês, que normalmente acontece no dia 30.

“Há muitos anos recebemos o pagamento nesta data e já nos programamos para isso. Só que sem prefeito, não sabemos se isso vai acontecer”, comentou uma servidora municipal que pediu para não ser identificada.


O procurador do município, José Soares, disse que desde o afastamento de Cristiano Matheus o Município não pode fazer nenhuma movimentação bancária. “As secretarias continuam trabalhando, mas enquanto não se definir o responsável pela gestão, o município não pode fazer qualquer movimentação financeira”, falou.


Sobre o pagamento dos salários, Soares disse que a folha foi fechada, mas sem a assinatura do prefeito, o dinheiro não poderá ser liberado. “A parte administrativa está pronta e aguardando somente a definição de quem vai assinar a liberação da folha”, informou o procurador, ao destacar que outros pagamentos, como o de fornecedores, também não podem ser feitos.


Acusações contra o prefeito afastado
O MPF em Alagoas ajuizou três ações civis públicas no dia 9 de setembro por ato de improbidade administrativa praticada pelo prefeito Cristiano Matheus e outras 38 pessoas, além de 15 empresas, por envolvimento em direcionamento de contratações e desvios de recursos federais destinados ao transporte escolar, merenda e obras públicas no município de Marechal Deodoro.


Segundo as investigações, as irregularidades levaram ao enriquecimento ilícito de alguns envolvidos. Na época, o MPF pediu o afastamento do prefeito do cargo, a indisponibilidade dos bens dos acusados, até o limite da responsabilidade apontada pelo MPF a cada um deles, e a quebra de sigilo fiscal dos envolvidos.


De acordo com o MPF, os desvios do transporte escolar alcançaram, no mínimo, o montante de R$ 5.533.385,21; da merenda, no mínimo, R$ 259.277,64; de obras públicas, pelo menos, o valor de R$ 646.537,60.


O procurador do município afirmou que já ingressou com um recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife, para anular o afastamento de Cristiano Matheus, e está aguardando a decisão.

 

G1

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